Mostrar mensagens com a etiqueta Cantinho Veterinário. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cantinho Veterinário. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de junho de 2018

Cantinho Veterinário - Praganas (as sementes do mal)

Estamos numa época do ano bem propícia a passeios com os nossos cães. Os dias são mais longos, o tempo ameno convida a sairmos de casa e é também agora que grande parte da população tira férias. Porém, há uma pequena, mas grande chatice que também entra na equação: as praganas.

O que são praganas?
As praganas são sementes de cereais ou ervas em formato de espiga. O formato destas sementes tem como objetivo agarrar-se ao pelo dos animais que passam para as levarem mais longe e poderem dar início a uma nova planta. Em crianças, até atirávamos estas sementinhas para as costas uns dos outros para saber quantos namorados tínhamos. Lembram-se dessa brincadeira?

Crédito

Qual o perigo das praganas?
O problema destas sementes é que, como são bicudas, muitas vezes enterram-se demasiado profundamente na pele criando feridas, ou então podem ficar presas nas narinas ou orelhas dos vossos animais. O resultado disso podem ser abcessos, otites (por vezes com ruptura do tímpano) ou lesões no olho (como úlceras).

Crédito

Desconfio que o meu animal tem uma pragana. O que fazer? 
Como escrevi, há imensos locais onde as praganas podem alojar-se no animal, por isso os sinais de que o animal tem este "corpo estranho" são variados:

  • Lamber ou coçar uma zona insistentemente;
  • Abanar a cabeça;
  • Esfregar ou não conseguir abrir o olho;
  • Corrimento ocular;
  • Espirrar repetidamente sem parar;
  • Sangue numa narina (epistaxis);
  • Feridas (com ou sem pus);
  • Coxear.
Caso a pragana não saia simplesmente com a escovagem ou ao puxar cuidadosamente com os nossos dedos, pode ser necessário levar o animal a um médico veterinário. Aí, de acordo com a profundidade da pragana e os danos por ela causados, pode ser necessário fazer uma sedação para se retirar a semente e fazer uma limpeza cirúrgica na ferida.


Como posso prevenir?
Não têm que deixar de dar passeios com medo que o vosso animal apanhe uma destas malvadas, mas se conseguirem evitar zonas onde existam estas espigas que largam praganas (na foto abaixo) melhor. Depois do passeio, basta gastarem cinco minutos a inspeccionar o pêlo do vosso animal e tirar estas sementes. Tenham especial atenção às patinhas, já que as praganas têm tendência para se enfiar no espaço entre os dedos.


Bons passeios!

Com amor,
Catarina

terça-feira, 1 de maio de 2018

Cantinho Veterinário - Como poupar nos custos dos animais

Os nossos companheiros de quatro patas dão-nos imensas coisas impagáveis como amor, carinho, gargalhadas e até um melhor sistema imunitário. Porém, quem os tem sabe que também são uma fonte de despesa, tornando-se essencial equacionar os custos quando se pensa em trazer um patudo à nossa família.
No entanto, existem algumas maneiras de controlar um pouco a mossa na carteira, sem deixar que isso afecte a nossa relação com eles.
Fonte

terça-feira, 27 de março de 2018

Cantinho Veterinário - Passeios

Com o aumento da temperatura e a diminuição da precipitação, vejo o número de pessoas que passeia os seus cães pelas ruas e parques a aumentar. O passeio é um momento muito importante para um cão, mais ainda quando vive no interior e é a única oportunidade que tem de ver outras pessoas, conhecer outros animais e cheirar tudo e todos. Por isso hoje queria trazer-vos algumas dicas para tornar o passeio um momento ainda mais feliz entre cães e tutores.


Segue o olfacto
Nós, seres humanos, orientamo-nos principalmente pelo sentido da visão. Quando vamos passear gostamos de ver a paisagem, as pessoas e tirar aquela "chapa" para o Instagram. Os cães não. O sentido primário dos cães é o olfacto, é assim que conhecem e reconhecem o que está ao seu redor e é por ele que se orientam. Por isso é super importante para eles terem a oportunidade de andar com o nariz no chão e "perder" tempo a cheirar as coisas. Está a explorar e é assim que é feliz.

Trela e peitoral
Como disse no ponto anterior, o cão tem um bom passeio quando anda com o nariz pelo chão. Para isso é essencial dar-lhe trela (literalmente), sendo o comprimento ideal 2 metros. Não sou grande fã de trelas retráteis, porque são mais difíceis de puxar caso haja necessidade, mas são aceitáveis em cães que pesem menos de 4/5 quilos. 
Usar coleira também é contraproducente (porque puxam a cabeça do cão, não o deixando cheirar), para além de perigoso. Um peitoral é mandatório para passeios, como falei aqui.

Leva marmita
A maioria dos cães é muito mais obediente quando há recompensas envolvidas. Por isso levem um saquinho (no bolso de um casaco ou um próprio para pendurarem à cintura) com comida partida em pedaços pequenos para o recompensar quando vai ter convosco, para o dessensibilizar a estímulos como barulho e outros animais e quando faz cocós e xixis durante o passeio.

Saquinhos para "presentes"
Por falar em cocós e xixis, pede-se bom senso aos tutores. Levem sacos para apanhar os cocós (existem até dispensadores para colocar na trela, para ser mais difícil esquecerem-se) e tentem não deixar os vossos animais (principalmente os machos não castrados) marcarem sítios como portas de casas ou entradas.

Tempo e lugar
Por último, se for possível, escolham a melhor hora e local para os vossos passeios serem mais felizes. Quanto a locais, o óptimo seria ter vegetação e pouca circulação de veículos e pessoas, para o vosso cão poder explorar mais à vontade. Quanto à altura do dia, no Verão esperem que passe a hora de maior calor para passear o vosso patudo e no Inverno tentem não sujeitar o vosso animal (principalmente se for pequeno e de pelo curto) a muito frio. Mais uma vez, com bom senso tudo corre pelo melhor.

Espero que esta publicação vos tenha sido útil. Bons passeios!

Com amor,
Catarina

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Cantinho Veterinário - Saúde Dentária

Os veterinários americanos consideram o mês de Fevereiro o "National Pet Dental Health Month", iniciativa que já está a ser imitada por todo o mundo.
Embora haja uma evolução muito positiva nos cuidados e exigência que os tutores têm na saúde dos seus patudos, os dentes continuam a ser vistos como algo menos preocupante.
Sabiam que, aos 3 anos de idade, cerca de 70% dos cães e dos gatos já sofrem de doença periodontal, o conhecido tártaro nos dentes? 
O cálculo dentário castanho e os dentes amarelados não são meramente uma questão estética, nem o "hálito a cão" é normal num animal saudável. São sinais de que existe uma acumulação de bactérias anormal na boca, que vai deteriorar os dentes, causar dor e predispor a doenças noutros órgãos.


"Então e o que posso fazer para manter os dentes do meu animal saudáveis?"
Os antepassados dos nossos cães e gatos tinham outro estilo de vida e alimentação que os obrigava a roer mais e a desgastar a placa bacteriana, mas hoje sabemos que os ossos, por exemplo, nem sempre são seguros. 
O método mais eficaz para prevenir a doença periodontal é a escovagem dos dentes dos nossos animais. Sim, é possível. Sempre com uma pasta de dentes própria para animais (as de uso humano contêm flúor e xylitol, tóxicos para os nossos animais), com uma escova de dentes com cerdas suaves ou uma dedeira, que pode dar mais jeito em gatos e em cães pequenos. O ideal é escovar diariamente, mas se conseguirem apenas duas ou três vezes por semana também é excelente. Existem até algumas dicas para quem quiser treinar o seu cão e gato a este hábito saudável, sempre com reforço positivo.


"O meu animal não tolera bem as escovagens, existe outra forma de prevenir o tártaro?"
Claro que sim. Não é 100% eficaz como a escovagem, mas existem imensas opções que visam melhorar a saúde oral dos nossos patudos. Existem rações especiais para a saúde dentária, líquidos enzimáticos que se podem pôr na água, sticks para roer, brinquedos com material seguros para roer, gel oral... O melhor é mesmo discutir com o vosso veterinário qual será a melhor opção para o patudo lá de casa. 


"Que sinais devo procurar para saber se o meu animal já tem uma doença dentária?"
Existem vários sinais, dos mais discretos aos evidentes que nos alertam para uma possível doença dentária:

  • Mau hálito
  • Dentes amarelos ou acastanhados
  • Sangue nas gengivas
  • Dificuldade em comer
  • Coçar a boca com a pata ou contra móveis
  • Perda de dentes
  • Aumento da salivação
Se já existir doença ou tiverem a suspeita disso, consultem o vosso médico veterinário.


Espero ter ajudado. Que o vosso animal continue a proporcionar-vos sorrisos, com muita saúde!

Com amor,
Catarina 


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Boop My Nose

Desde que tenho o Bóris fico ainda mais derretida com fotos e vídeos de animais quando se trata de cães Terranova. Num vídeo engraçado, encontrei a conta da Molly e logo se seguiram mais e mais contas de cães desta raça. Normalmente detesto seguir pessoas que não conheço pessoalmente, mas é mais forte do que eu. Esta semana, descobri a minha conta de Instagram preferida de todo o sempre:  "Boop the nose". O nome explica bem o sentido desta página, que dá vontade de tocar nestes narizinhos giros. Normalmente são narizes caninos, mas também se vêem outras espécies como gatos e cavalos.
É a coisa mais fofa de sempre.

Tenham uma óptima semana!

Com amor,
Catarina

sábado, 11 de novembro de 2017

Cantinho Veterinário - Kit de primeiros socorros para cães e gatos

É uma preocupação comum, a de ter um kit de primeiros socorros por precaução. Foi algo que sempre esteve cá em casa e ao qual os meus pais recorriam sempre quando queriam desinfectar uma ferida, acalmar uma picada ou estancar uma pequena hemorragia.
Ora, para os nossos animais de estimação também existem alguns produtos essenciais para ter em casa, para pequenos ferimentos ou para utilizar após a recomendação de um médico veterinário. São todos produtos também utilizados em nós, mas não custa nada relembrar as suas funções.

domingo, 10 de setembro de 2017

Cantinho Veterinário - Qual o melhor animal para mim?

É rara a pessoa que não quer ter um animal. Seja por ter tido em pequeno, por ver como são giros e/ou como fazem as pessoas felizes.
Ter um animal devia ser como ter um filho: há que pensar antecipadamente se estão reunidas todas as condições para o ter. Os fatores principais a ter em conta são: o orçamento que podemos investir na sua alimentação, artigos de higiene, cuidados de saúde e acidentes (sejam móveis roídos ou algum problema de saúde inesperado), o tempo disponível para dedicar ao animal, o tipo de habitação que temos e o tipo de vida que levamos. Aqui vai um guia muito básico e informal sobre qual o melhor animal para vocês.
Sobre aves, peixes e répteis não vou falar porque, para além de existirem dezenas de espécies diferentes, têm cuidados muito específicos e a minha experiência com estes animais é quase nula.

Roedores
Há quem os ache repulsivos e há quem os ache fofinhos. Para os ter em casa convém estar na segunda categoria.
Orçamento: Comem menos quantidade que um cão ou gato e a vantagem, por exemplo, dos coelhos e dos porquinhos-da-índia é que têm uma alimentação à base de feno e vegetais, produtos normalmente baratos. No entanto, nem todos os centros veterinários têm o equipamento necessário para atender estes animais por isso pode ser necessário encontrar um médico veterinário de especialidade em animais exóticos. Apenas os coelhos têm vacinas necessárias dar (mixomatose e febre viral hemorrágica).
Espaço: Dependendo do tamanho do animal, não costumam ocupar muito espaço, pois passam a maior parte do tempo no seu espaço engaiolado. Podem deixá-los um bocadinho à solta enquanto estiverem em casa, num espaço fácil de limpar, como uma marquise ou uma varanda fechada.
Tempo: Quanto mais tempo lhes dedicarem, melhor será a vossa relação. Estes animais também podem aprender truques a troco de comida e festinhas, basta ter paciência. Porém, se tiverem mais companheiros de gaiola a necessidade de interação social por parte das pessoas será menor. (Atenção, cuidado com juntar coelhos do mesmo sexo porque podem lutar e magoar-se seriamente; se optarem por um casal de roedores aconselho a mantê-los separados até a castração de um deles porque são animais que se reproduzem muito rapidamente).
Tipo de vida: Se são pessoas que passam poucas horas por dia em casa, que têm preguiça de sair ou não querem ter muito trabalho e despesa esta pode ser uma opção para vocês.

Gatos
Porque não há vergonha nenhuma em ser uma crazy cat lady.
Orçamento: Estes animais fofinhos têm na extremidade das patinhas uns acessórios muito poderosos para destruir mobília. Lembrem-se disso no vosso orçamento. Em termos de alimentação é relativamente mais barato do que um cão de 30kg, é verdade, mas às vezes os gatos conseguem ser muito picuinhas com a comida. Lembrem-se também que têm de comprar areia para as necessidades deles. Em termos veterinários, convém levarem a primeira vacinação em gatinhos, que depois será repetida anualmente, normalmente. (O vosso veterinário logo dirá quais as vacinas necessárias no seu caso).
Espaço: Se vivem numa zona movimentada em termos de carros, por favor, fechem as janelas e as portas das varandas. Um gato paraquedista não é piada. Muitas vezes pode não ser a queda o principal problema, mas ao cair pode assustar-se e perder-se ou provocar algum acidente e magoar-se (e a outros). Amigos meus perguntam-me se é preciso que haja acesso ao exterior para um gato ser feliz. Os gatos podem viver perfeitamente felizes num apartamento, desde que haja algum enriquecimento ambiental como postes para arranhar, comida escondida em vários sítios da casa para "caçarem", esconderijos, etc. (Partilhei convosco um vídeo com dicas aqui).
Tempo: Um gato é uma criatura que gosta de ter atenção e ser mimada. Se forem gulosos também podem treinar alguns truques com ele. Se não, divirtam-se a brincar com eles que eles adoram.
Tipo de vida: Passam no máximo 12h fora de casa por dia e gostam de passar a maior parte do vosso tempo livre no ninho. Gostam do amor e desprezo ao mesmo tempo (dos gatos!). Pessoas friorentas  fãs de ter uma bolinha de pelo quente aos pés da cama.

Cães
Se são felizes a passear, comer e a deixar de ter espaço pessoal.
Orçamento: Diria que, dentro dos “pets” mais comuns, é dos animais mais caros para se ter. Para além de serem maiores, são os únicos que por lei têm de ser vacinados - contra a Raiva- , identificados com microchip e registados na Junta de Freguesia. Em termos de comida, depende do porte, mas preparem-se para gastar um saco de ração por mês. Contem também com alguns estragos, principalmente se os adotarem em cachorros. Não aconselho a alimentação baseada nos “restos”, mas podem ter uma alimentação mais caseira do que apenas ração - perguntem ao vosso Médico Veterinário qual o melhor para o vosso cão. Também é aconselhável irem a uma escola de cães, nem que seja apenas em cachorros para cães e donos aprenderem a comunicar melhor (Espero falar mais sobre este tópico em breve).
Espaço: Mais uma vez depende do porte. Um cão de 5 ou 6kg adapta-se bem a passar a maior parte do dia num apartamento, mas cães maiores e mais ativos serão mais felizes se tiverem um espaço maior para estar como um jardim ou quintal.
Tempo: A meu ver, é dos animais que requer mais tempo. Um cão feliz precisa de atenção do dono, de brincar, de passear e conhecer novos cheiros e socializar com outros cães. Se vivem num apartamento, devem ter em atenção que o cão deve ser passeado 3 vezes por dia para fazer as suas necessidades. Se tiverem um espaço para urinar e defecar, um passeio por dia é ótimo para o animal fazer exercício e estimular a sua mente. Também são aconselhados treinos curtos diários de ordens e truques para manter a função cognitiva do cão on point e se divertirem os dois.
Tipo de vida: Alguém que passa menos de 10h por dia fora de casa e adora passear, especialmente pela natureza. Quem não se importa de ter a roupa cheia de pelo e de estar constantemente a vigiar a comida que está em cima do balcão. Quem tem muito amor para dar, a toda a hora.


Espero ter-vos ajudado, qualquer dúvida digam nos comentários ou enviem por email.
Desejo-vos uma óptima semana!

Com amor,
Catarina

terça-feira, 6 de junho de 2017

Cantinho Veterinário - A importância das coleiras (certas)

Foto: 366daysofbolacha
As coleiras muitas vezes são-nos vendidas como apenas um acessório para os nossos animais de estimação, mas são muito mais do que isso.
Para os gatos, por exemplo, as coleiras têm imenso que se lhe diga. Em primeiro lugar, muitas delas vendem-se com guizos. Sei que a intenção de saber onde está o vosso animal é boa, mas tentem imaginar o que era andarem o dia todo com uma sineta que vos soasse aos ouvidos com qualquer movimento que fizessem, ainda mais se forem um animal com o sentido auditivo mais apurado que os humanos. O vosso gatinho vai agradecer o alívio do silêncio. 
Outro perigo das coleiras em gatos com acesso ao exterior é que, caso fique presa em algum local alto, pode causar enforcamento. Felizmente já existem coleiras com um sistema anti-enforcamento que se abrem ao serem "puxadas".

Foto: Tail Wag

 Nos cães também se aplica a teoria dos guizos e, para além de uma coleira identificada, devem ter um peitoral para quando vão passear à rua. Isto porque, ao puxarem a trela, vão estar a fazer pressão na traqueia do cão (o que não é saudável) e impedi-lo de explorar o mundo da melhor maneira que um cão sabe fazê-lo: a cheirar.
O peitoral permite um melhor controlo e conforto do cão e, se o vosso cão for grande ou tiver tendência a puxar bastante, podem apostar num cuja trela se prenda na zona do peito ou de lado para, em vez de fazerem um duelo de força com o cão, usarem a própria força dele para o desequilibrar e virar na direcção certa.

Quando se trata de pinhas, é mesmo preciso um puxãozinho para o Bóris vir...
E, se o vosso animal usa coleira/ peitoral, aproveitem para gravar uma medalha de identificação com o vosso número de telefone para a colocar lá. Muita gente não sabe que deve levar um animal perdido a um veterinário para verificar o microchip e até caso o vosso gato não tenha, é uma maneira barata de ser mais fácil o vosso patudo regressar a casa caso se perca.


Espero ter-vos ajudado!

Com amor,
Catarina

sábado, 7 de janeiro de 2017

Cantinho Veterinário IX - Porquê esterilizar?

 Se há coisa que deixa qualquer profissional de saúde um pouco frustrado é quando se depara com situações complicadas que poderiam ter sido facilmente evitadas.
 Compadecemo-nos na mesma com os donos dos animais que nos chegam nessas situações, que estão desesperados e querem fazer tudo pelo animal, mas ao mesmo tempo pensamos nos "e se's".
 Acontece em doenças para as quais já há vacinas, em intoxicações por alimentos ou medicamentos que não podem ser dados e, do que vou falar hoje, em fêmeas que não foram esterilizadas. Em todas estas situações não há "maldade" ou propriamente negligência por parte das pessoas. Pode ser por ignorância, por achar que é excesso de zelo ou até por falta de dinheiro. 
 Mas, falo por mim, é preferível investir na prevenção do que depois no tratamento para não sujeitar o meu animal ao sofrimento associado.
 No caso específico da esterilização, era algo que eu não hesitaria um segundo em fazer a uma cadela ou gata minha. Para além do controlo populacional, é muito vantajoso em várias questões de saúde.
 Ficou provado em vários estudos que quanto mais precoce a esterilização (mas só a partir de 6/7 meses, dependendo do animal), menor a probabilidade de desenvolverem tumores mamários. Se tirarem os ovários (fonte hormonal) antes do primeiro cio, ficam com uma probabilidade de ter cancro da mama igual à de um macho (cerca de 1%).
 Para além disso, o útero é suscetível a uma das doenças mais perigosas e complicadas que tenho visto na prática clínica: piómetra. Trata-se de uma infeção do útero, que acumula bactérias no seu interior e que muitas vezes só é detectada quando existe uma carga bacteriana enorme. Aí a única coisa a fazer é a cirurgia em que se remove os ovários e o útero - ovariohisterectomia - conhecida vulgarmente pela esterilização, que seria também a maneira de a prevenir em primeiro lugar. Porém, neste caso tem de ser feita em urgência senão pode ser fatal.
 Se conseguir sensibilizar pelo menos uma pessoa para considerar proteger a sua cadela ou gatinha para o futuro já fico muito feliz!



Tenham um óptimo fim de semana!

Com amor,
A Marquesa

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Mitos sobre animais em que acreditava até entrar em Medicina Veterinária

As vacas leiteiras dão sempre leite.
Nunca tinha pensado muito no assunto, mas sempre assumi que as vacas leiteiras simplesmente davam leite.
Quando começámos a falar de detecção de cios e de gestação, é que se fez luz na minha cabeça. Tal como as restantes fêmeas mamíferas, também as vacas precisam de ter um bebé para dar leite. Foram seleccionadas para dar bem mais leite do que a quantidade que os vitelos precisam, de forma a se poder vender.

Os gatos não precisam de festas.
Nunca tinha tido muito contacto com gatos antes do curso, apenas com os do meu bisavô e de umas primas minhas. Como eles eram sempre fugidios e uma até me atacou do nada uma mão (estava sentada no sofá e provavelmente mexi a mão enquanto falava) sempre assumi que não eram animais que gostassem de festas como os cães.
 Afinal há uns mimados como tudo.

Os cães comem ossos.
Já fiz sobre um post sobre este assunto, mas a verdade é que ao contrário do que o senso comum transmite não se devem dar ossos aos cães.

As delícias do mar e "patinhas de caranguejo fritas" que compramos são feitas de marisco.
Tudo ovo. E outras cenas que dão sabor e corzinha.

Os cães são carnívoros.
Mais um mito muito comum é que os cães se alimentam principalmente com carne. Tanto que há uns seguidores de raw food que dão praticamente só ossos (ui!) e carne crua (nunca ouviram falar de parasitas e toxinfeções alimentares?) porque supostamente é o que os ancestrais dos cães - os lobos - comem.
A verdade é que os cães, ao contrário dos gatos, não são carnívoros estritos. São omnívoros portanto precisam de uma alimentação completa com todos os macronutrientes. Mesmo assim não se podem pensar neles como mini-humanos, pois as necessidades de hidratos de carbono e sal, por exemplo, são bem menores que as nossas.

As tartarugas comem apenas camarões
 Nunca tive tartarugas, mas sempre que ia a casa de alguém que tinha ficava fascinada com aquelas criaturas verdes com carapaça dura que devoravam camarões em ponto pequeno como se não houvesse amanhã.
 Embora muita gente dê apenas este alimento às tartarugas, este não é de todo o melhor para elas. Devem serguir uma dieta variada em nutrientes (normalmente existem rações próprias) senão criam deficiências nutricionais que lhes irão causar muitos problemas.
Outra coisa a ter em conta é que a temperatura da água delas deve ser controlada (por volta dos 24ºC).

Os ovos de galinha que comia eram pintos por nascer
 Esta se calhar não tirei só depois de entrar no curso, mas quando era pequena acreditava nisto até porque via pintainhos também a andarem atrás das suas mães nos pátios das minhas avós.
 Hoje em dia já percebo que as galinhas põem ovos quer sejam fecundados ou não, não precisando de um macho para nada. 
 Os ovos que vêem no supermercado não são fecundados, até porque os senhores da indústria das galinhas poedeiras não querem ter ali um macho a "comer de graça" sem dar ovos a ninguém.

Deve-se ralhar com os animais para eles aprenderem
Toda a educação de um animal dava material para imensos posts, mas hoje vou-me ficar por aqui.
A vida dos animais de estimação começa com a melhor professora do mundo: a mãe deles. Quando ela "ralha" com eles tem um timing e um método que mais ninguém consegue imitar portanto é importante deixá-los pelo menos até às 8 semanas de vida com ela. Vai ser muito importante para fazer a inibição da dentada e também os tornar menos propensos a ansiedade por separação.
 Sei que quando eles fazem um xixi no tapete, ou rasgam alguma coisa a primeira coisa a vir ao de cima é um "NÃO!". Mas muitas vezes há uma perda na comunicação e o que nós entendemos como "não faças xixi em casa" passa a ser "não faças xixi à minha frente".
 A recompensa dada durante ou logo após algo que gostávamos que repetíssem é a melhor maneira de eles aprenderem, mesmo que possa demorar mais um tempinho.


Desmitifiquei algum dos vossos mitos?


Bom fim de semana!

Com amor,
A Marquesa

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Para quê querer uma raça quando posso ter todas?


 Quando era pequena, adorava aquelas enciclopédias com as várias raças de cães. Como tinha o Rodolfo desde os 6 anos, era sempre a sua raça que o meu dedo buscava primeiro. Depois, escolhia mais uns quantos que dizia serem os meus preferidos e decorava os nomes. Dizia que quando fosse morar sozinha ia arranjar um daquela ou da outra raça, que eram mesmo giros.
 Porém, quando entrei para veterinária pus esse pensamento cada vez mais de lado, até hoje o meu cão de sonho ser um rafeiro.
 Em primeiro lugar, sempre que falamos de uma doença, falamos das raças predispostas a essa mesma doença.
 Parecendo que não, anos e anos de selecção artificial e consaguinidade para um animal ficar com determinado aspecto, leva a que, para além da estética, os animais também tenham genes para as mesmas doenças. Mesmo que esses genes estejam escondidos, ao se cruzarem com um da mesma raça a probabilidade de os filhotes manifestarem esse problema é grande. É um certo preço a pagar por termos "transformado" um lobo num chihuahua ou num bulldog.
 Depois, graças aos acordos que o hospital da faculdade tem para ajudar várias associações, comecei a contactar muito mais com animais sem dono. Bichos queridos, amigáveis e brincalhões que após o tratamento no hospital vão voltar para o seu pequeno espaço, que é o maior que a associação lhe consegue dar. E isso obviamente parte um bocadinho o coração de uma pessoa.
 Mas o que me destroça mesmo é conhecer pessoas que querem um animal, mas ter que ser da raça da moda. Já aconteceu com os Pastores Alemães, com os Boxers, com os Labradores Retrievers e agora com os Bulldogs franceses. E nos gatos os Persas e British Short Hair.
 Estão a comprar uma "coisa", como se comprassem uns ténis da moda, ignorando que os animais têm uma grande predisposição para ter problemas de saúde e depois queixam-se que "este só me dá despesa". Meu amigo, a única despesa que deste a ti próprio foi comprar um amigo, quando existem muitos prontos a serem adoptados nos canis e associações portuguesas que estão sobrelotadas. E se querias algo só para mostrar mais valia um peluche...
 É claro que os rafeiros também podem ter doenças (bactérias e vírus não olham a raças) e algum problema, mas é mais raro por serem uns super-híbridos.
 Por último, sei também que há quem escolha uma raça por ter uma certa afinidade, ou por querer um animal com comportamentos característicos da raça. Compreendo e não condeno, mas conta muito mais para o bom comportamento de um animal ter feito um bom desmame e só o terem separado da mãe às 8 semanas, do que só a genética em si. 
  Vamos ser donos de raça?



Bom fim de semana prolongado!


Com amor,
A Marquesa

terça-feira, 5 de abril de 2016

10 perguntas que fazem (constantemente) a estudantes de medicina veterinária

Depois de quase 5 anos de curso, já tenho quase o "rolar de olhos" activado para quando alguém faz piadinhas ou perguntas um pouco tolas sobre a minha área.
 Não levo a mal quando vêm de amigos meus, cujo sentido de humor e curiosidade eu consigo decifrar e compreender.
 Mas quando são conhecidos, pessoas de fora ou alguém com que nunca falei antes, apenas consigo manter um sorriso amarelo na cara e responder cordialmente.
 Sem mais demoras, aqui estão as perguntas e as respostas que aparecem na minha mente.

-Já puseste a mão no rabo da vaca?
(99% das vezes é a primeira pergunta que me fazem quando digo de que curso sou.)
A vacas e não só, faz parte do exame clínico dos animais.

-Já foste mordida por um cão?
Felizmente nunca me aconteceu, mas de qualquer maneira somos ensinados a prevenir que isso aconteça.

-O meu cão tem isto, isto e isto, o que achas que pode ser?
Ou dou numa de Maya e mando um diagnóstico ao calhas, ou então tenho que ver o animal presencialmente. E para "amigos" é favor pagar a consulta se faz favor.

-O meu cão fez um cocó de cor estranha, vou-te enviar a foto.
???

-O meu gato tem este problema, o que é que eu posso fazer?
Levá-lo a um veterinário. (Vá, às vezes se for algum problema só de comportamento pode-se sempre dar umas dicas)

-Tens que ir lá a casa conhecer o meu cão.
Adorava, mas vou sempre desconfiada que seja para uma olhadinha nalgum nódulo ou sabe-se lá o quê.

-Não tens nojo das pulgas e carraças?
Um bocadinho, por isso é que uso luvas. Mas é aí que se põem os desparasitantes em acção!

-Já tiveste que abater algum animal? Eu não conseguia 'tadinhos!
Infelizmente já e espero bem que nunca saibas o que é um verdadeiro animal 'tadinho a "viver" em sofrimento.

-Encontrei um animal abandonado, podes tratar dele?
Sou quase veterinária, mas não tenho nenhuma associação de animais abandonados. Nunca direi não a ajudar, ou a ficar com algum animal (temporariamente) se tiver possibilidade de o fazer. Mas não sou eu a responsável por isso.

-Mas vocês também têm especialidades?!
Em Portugal ainda não há universidades que façam especializações, mas por todo o mundo há faculdades de especialização, tal como nos humanos. Desde Cardiologia, Neurologia, Nutrição, Dermatologia, Comportamento... Também há quem se especialize em algumas espécies.


Fora de brincadeira, se tiverem alguma dúvida ou questão a que eu possa responder estão à vontade!

Desejo-vos uma óptima semana!

Com amor,
A Marquesa

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Cantinho Veterinário VIII - Cães & Ossos

Desde pequeninos temos a noção de que os cães comem ossos. Mesmo antes de sabermos ler e escrever, sabíamos fazer um risco entre o cão e o osso e o gato e o peixinho nos jogos de associações.
Em minha casa, não se davam ossos de aves, borrego/ cabrito ou leitão ao meu cão, pois sabia-se que estes se partiam e podiam perfurar o esófago ou estômago ou asfixiá-lo. Porém, foi só quando entrei para o meu curso que aprendi o perigo dos ossos para os nossos animais.
 Para além dos ossos pequenos, que são muito mais fáceis de engolir e portanto ficar presos algures no trato intestinal, também os ossos grandes (porco, vaca) podem causar obstruções do mesmo. Quando os cães roem ossos, chega a um momento em que conseguem "raspar" estes e vão engolindo pequeníssimas "raspas" de material ósseo. Mesmo com o forte pH ácido, o estômago não consegue digerir completamente osso. Os movimentos peristálticos podem conseguir arrastar algum material ósseo consigo, mas a maioria fica acumulada no estômago ou intestinos. Se estas raspas forem pequenas, podem estar anos sem causar problemas. Porém, se o cão continuar a roer ossos a quantidade vai aumentar. Isto, associado à perda de motilidade intestinal associada ao avanço da idade pode causar uma impactação, que só poderá ser resolvida muitas vezes recorrendo a uma cirurgia de emergência, senão o animal morre. (Que infelizmente já soube de imensos casos que acabaram assim.)
Já existem muitos substitutos dos ossos em massa digerível que permitem à mesma os cães "limparem" os dentes e se entreterem. Mais vale jogar pelo seguro, certo?


Não sei se dei uma explicação demasiado pormenorizada, mas espero ter conseguido passar a mensagem.


Continuação de uma óptima semana!

Com amor,
A Marquesa

domingo, 10 de janeiro de 2016

O Matadouro

Desde o primeiro ano do curso que ouvimos falar da visita ao matadouro no 5º ano.
A ideia repulsava-nos a todos, comentávamos que não ia sair ninguém daquela visita com os olhos secos, ou com vontade de continuar a comer carne.
 Fomos fazendo o nosso percurso académico. Começámos por estudar em cadáveres e depois a assistir a procedimentos em animais vivos, até ser a nossa vez de o fazer. Muitos de nós, tanto no hospital da faculdade como em estágios extra-curriculares contactámos com a doença, com a passagem dos peludos já sem hipótese alguma para o outro lado. Alguns de nós, inclusivamente, pressionámos o êmbolo da seringa com o líquido que acabou para sempre com o sofrimento de um amigo de quatro patas.
 Na minha visita ao matadouro, não vi ninguém com lágrimas nos olhos ou voz tremida. Vi, por um lado, curiosidade inerente a quem já ouviu falar deste processo em aulas teóricas e queria certificar-se que era tudo feito como ditam as normas de bem-estar, mas por outro, pessoas que já viram animais a lutar pela vida sem sucesso morrerem e estes que são saudáveis a serem sacrificados.
 Não, não me tornei vegetariana (pelo menos por enquanto). Mas acho que é um processo que não deve ser ignorado e posto de lado por todos os que consomem carne.
 Se antes pensava "que horror, nem pensar que alguma vez ponho um pé no matadouro, não quero nem imaginar um animal a morrer", agora sei que ao ser consumidora é uma coisa que não posso ignorar. Uma consequência das minhas acções. Tudo o resto seria hipocrisia.



Que tenham uma óptima semana!

Com amor,
A marquesa

P.S. Se feri a susceptibilidade de alguém peço desculpa, mas acho que é uma coisa super natural e realista.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Alerta Carne Vermelha

 Como já devem ter visto nas notícias, a Organização Mundial de Saúde declarou a carne vermelha processada como cancerígena.
 Isto inclui toda a carne de vaca, porco e borrego que foi fumada, salgada, fermentada ou curada e também às quais foram adicionados aditivos que melhoram o sabor, textura ou cor. Estamos a falar de bacon, salsichas, presunto e fiambre por exemplo. Dizem os estudos que uma porção de 50g diária destes produtos pode aumentar em 18% a probabilidade de se desenvolver cancro nos intestinos.
 Também a própria carne vermelha tem possibilidade de ser cancerígena, mas os estudos ainda não provam uma relação directa. Porém, também deve ser consumida com moderação e recomendam o limite a 4 ou 5 refeições por semana.

 Sinceramente isto não me surpreende nada. Estando dentro da área e tendo feito visitas no âmbito da cadeira de Tecnologia Alimentar, já sabia que estes alimentos não seriam os mais saudáveis.
 A lei define limites para os aditivos cancerígenos que se utilizam nos alimentos, mas só o facto de serem usados sempre me fez alguma comichão.
 A indústria diz que são necessários, não só para a conservação dos alimentos, mas porque o consumidor não compra os produtos que não tenham cor bonita, cheiro "característico" ou alguns sabores. Dou-vos o exemplo dos nitritos do fiambre que lhe dão a corzinha cor-de-rosa, ou basicamente todos os corantes alimentares.
 Acho que isso é uma grande balela. Porque se explicassem ao público o que andam a comer, eles preferiam mil vezes comer produtos "feios" mas que soubessem que não tem nada que lhes faça mal.
 Não sei até que ponto os países vão continuar a querer produzir alimentos que nos prejudicam, que depois até vão custar dinheiro ao serviço nacional de saúde, do que começar a proibir determinadas substâncias e dar incentivo à agricultura e pecuária biológica (nós somos o que comemos e os animais também).
 Com isto porém, não quero dizer para se porem a chorar num canto porque nunca mais vão poder comer uma fatia de fiambre ou um folhado de salsichas. Obviamente que deve ser só quando o rei faz anos, e de preferência preferir produtos caseiros e biológicos. Há também a alternativa com carne de aves, mas visto que essas também passam pelos mesmos processos não sei o quanto será mais saudável...

O que vos passou pela cabeça quando souberam? Afecta-vos muito ou nem por isso?


Continuação de uma óptima semana!

Com amor,
A Marquesa


Mais informação aqui, aqui e aqui.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Cantinho Veterinário VII - Como socializar com cães

 Existe muito boa gente que tem medos de cães. Podem já ter tido uma experiência má ou nunca tiveram muito contacto com este animal e sabem de histórias de cães maus.
 Não digo que não têm razões para ter medo, porque há pessoas que não educam os cães ou animais com um temperamento complicado que podem eventualmente querer morder em alguém.
 Mas não tem que passar a ser uma fobia, com certos cuidados tudo se consegue.
 Segue aqui um vídeo (que tem várias partes) que ilustra esses cuidados em Português do Brasil para crianças.



Resumidamente:

1. O dono é que sabe.
Se querem dar uma festa a um cão, perguntem sempre ao dono se podem. Os donos conhecem o temperamento do cão e vão avisar-vos caso o cão não goste de festas de estranhos.

2. Ler os sinais.
Há cães que têm medo de pessoas estranhas e, depois de vos evitarem escondendo-se (atrás do dono) e pondo o rabinho entre as pernas, se se sentirem encurralados podem morder-vos. Já os cães agressivos costumam rosnar e ficar com o pêlo eriçado.

Cão agressivo
Cão com medo (já com sinais de poder agredir)

3. Bom senso.
Quando conhecem uma pessoa nova não correm para ela ou a abraçam logo de seguida ou se põem a fazer festas no cabelo, certo? Essa pessoa iria ficar assustada...
O mesmo acontece com os cães.
Sim, há cães que só querem é festa e avançam logo para vocês com a cauda a abanar e a dar lambidelas nas vossas mãos. Mas a maioria dos cães é um pouco tímida.
Aproximem-se q.b., fiquem numa postura direita e deixem-nos cheirar-vos à vontade. Depois disso podem baixar-se e fazer-lhes festas no dorso (é menos íntimo que na cabeça e orelhas por exemplo).


4. Há tempo para tudo.
Se o cão estiver a comer, com os seus brinquedos, se for uma cadela com as crias ou estiver preso algures, deixem as festas depois. São alturas em que os cães podem ser um bocadinho mais territoriais.

5. Recompensas.
Se tiverem um biscoito à mão, depois da vossa socialização dêem-lhe uma recompensa. É pelo estômago que se conquistam a maioria das espécies e esta não é excepção. Amigos para sempre!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Cantinho Veterinário VI - Especial Verão (Parte II)

Sem mais demoras, aqui vai a segunda parte do Cantinho Veterinário - Especial Verão.
Podem ver a primeira parte no separador "Cantinho Veterinário" ali mesmo em cima.

4. Doenças do Verão
Uma das doenças mais comuns que aparece todos os Verões nas clínicas e hospitais veterinários é a Parvovirose.
 Esta doença caracteriza-se por vómitos, diarreia profusa, por vezes até com sangue, fraqueza e depressão em cachorros, normalmente.
 Esta doença é causada pelo Parvovírus canino que é extremamente resistente no ambiente, ou seja, os cachorros podem ficar doentes ao contactar com fezes de cães com o vírus ou objectos com que os doentes tenham estado em contacto. O pior? É uma doença com um índice de mortalidade muito elevado, principalmente se o animal não receber tratamento veterinário imediato.
 Nos gatos, este vírus tem o seu equivalente como vírus da Panleucopénia Felina. Também é facilmente transmissível e afecta maioritariamente gatinhos acabados de desmamar (mas pode afectar também gatos adultos). Os sintomas também passam por vómitos e diarreia violenta que pode ter sangue.
 Ambas as doenças têm como prevenção a vacinação. Esta costuma fazer-se em 3 doses: a 1ª feita às 8/9 semanas, a 2ª dose 3/4 semanas após a 1ª e a 3ª quando o animal tiver 14/16 semanas de idade.
 Antes da 3ª dose ser administrada, deve ter-se imenso cuidado para o animal não se contagiar. 
 É complicado porque esta idade é fundamental nos cachorros para socializarem e se habituarem a todo o tipo de pessoas, sons e estímulos ambientais diferentes para não adquirirem fobias quando forem "grandes". Portanto, os "bebés" devem sair à rua, mas apenas ao colo ou dentro de uma mochila na vossa barriga para conhecer o mundo. Assim vêem e ouvem tudo, mas não correm o perigo de ingerir ou lamber algo contaminado.




5. Hoteis e Pet Sitting
 Se não puderem ou não quiserem levar o vosso animal de férias, a opção preferencial é pedir a um amigo ou familiar que vá lá a casa dar-lhe comida, ou então ter alguém que se ofereça para o hospedar durante a vossa viagem.
 Caso não haja ninguém disponível, podem sempre procurar um Hotel Canino /Gatil ou um Petsitter na vossa área de residência.
 O petsitter compensa principalmente quando são gatos, que estranham mais novos ambientes, ou então quando é apenas um curto período de tempo. São profissionais que vão a vossa casa (ou em certas situações pessoas com quem deixam os vossos animais) que lhes dão comida e os levam a passear (no caso de cães de apartamento).
 Se a vossa viagem for prolongada, ou simplesmente não quiserem que um "estranho" entre em vossa casa, um hotel canino/ gatil será o mais indicado. Há para todos os gostos e preços.
 Caso não façam a mínima ideia onde começar a procurar um destes serviços, podem sempre consultar na vossa clínica ou hospital veterinário de preferência.




6. Fruta da época
Uma das questões que me passam a vida a fazer é "o meu cão pode comer isto?".
Já fiz um post sobre alimentos tóxicos para cães e gatos aqui, mas vou agora focar-me em frutas desta época.
 Deve-se ter cuidado com os caroços dos pêssegos, pois podem ficar presos nos intestinos e causar problemas sérios.
 Evitem sempre uvas e cerejas.
 E se o vosso patudo gostar de melancia, tirem a casca primeiro!
 De resto têm aqui uma tabela em inglês que vai de acordo com o que me ensinaram.
 Mas tenham sempre em atenção, que a dieta normal dos cães e gatos é carnívora. Portanto não exagerem na fruta, que eles precisam de menos hidratos de carbono (açúcar) que nós!



Qualquer dúvida digam, que hei-de ajudar!

Com amor,
A Marquesa

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Cantinho Veterinário VI - Especial Verão (Parte I)

O Verão já chegou e nesta época do ano há umas pequenas recomendações que gostava de relembrar a quem tem animais de estimação:

1. Cuidado com o calor!
Não somos só nós que sofremos com temperaturas muito altas. Os peludos, principalmente os cães, têm menor capacidade de termorregulação (manter a sua temperatura corporal) que nós humanos.
 Por isso, não esqueçam de garantir que o vosso amigo tem acesso a um lugar mais fresco com sombra e a água fresca. 
Se for um animal de pêlo comprido considerem também tosquiá-lo para lhe dar mais conforto.
E, por favor, nunca deixem o vosso animal trancado no carro num dia quente. Tem tudo para correr mal e muitas vezes não se consegue salvar o animal a tempo.


2. Carraças e companhia
 Nesta época do ano os insetos dão ainda mais o ar da sua "graça". São carraças, pulgas, mosquitos, moscas e flebótomos (vectores da Leishmaniose) que atacam ainda mais nesta estação.
 Uma ou outra carraça normalmente não faz muito mais que dar comichão ao vosso animal. Por isso se virem que uns dias após o vosso animal ter sido picado por carraças estiver "em baixo", com menos apetite e paradito levem-no à clínica: pode ser um caso de "febre da carraça". 
 A febre da carraça ocorre quando um animal (incluíndo o ser humano) é picado por uma carraça infectada que se encontrava infectada. (EhrlichiaRickettsia ou Borrelia)
 Um cuidado essencial é utilizar um desparasitante externo, que afaste estes bichos do nosso peludo. Estão à venda em farmácias e pet shops, mas a primeira compra deve ser recomendada por um veterinário. O tipo de animal, o seu peso e a quantidade de tempo que passa no exterior (e em que tipo de exterior) vão determinar os princípios activos a usar.
 Ter sempre em atenção que há desparasitantes de cães que são tóxicos para os gatos, e que para cães de raças Collie e família evitem sempre desparasitantes com Ivermectina na sua composição - podem ser letais!



3. Viagens com eles
 Se quiserem levar o vosso pet na viagem há alguns pontos que têm de ter em atenção:
 Geral - O cão deve ter as vacinas em dia (nomeadamente a da Raiva que é obrigatória), estar identificado com o microchip e registado na vossa junta de freguesia com o comprovativo da vacina da Raiva actualizado. São os requisitos legais para reconhecerem o cão como vosso.
 Carro - Usem uma caixa transportadora, um cinto de segurança próprio ou, se o animal for maior e o levarem no porta-bagagens, coloquem uma rede ou grelha que o separa do restante carro. É a única maneira de provar que o cão não pode de maneira alguma incomodar a condução.
 Comboio - Para além do que referi no "Geral", os cães médios/grandes devem também estar a utilizar trela e açaime. Os gatos, cães pequenos e restantes podem ir numa caixa transportadora.
 Avião - Para além do "Geral", têm de adquirir o Passaporte para o vosso animal na clínica veterinária da vossa preferência para voos internacionais. No caso de quererem levar o vosso gato, então tem que lhe ser colocado um microchip.
(Mais informação aqui e aqui)



Espero que tenham achado estas informações úteis! Qualquer questão não hesitem em perguntar.
Tentarei fazer a parte II ainda esta semana.


Tenham uma óptima semana,

Com amor,
A Marquesa

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cantinho Veterinário V

Hoje o post não vai ser dirigido aos donos de cães e gatos como é costume.
Vai ser dirigido a todos os que não tenham uma alimentação vegan.
Já queria há algum tempo falar de produtos de origem animal, nomeadamente ovos de galinha.
Não vou abranger o campo nutricional da coisa, porque mesmo tendo tido umas luzes, continua a não ser de todo a minha área.

Desde 2004 todos os ovos começaram a ter uma espécie de "bilhete de identidade" na União Europeia. É possível saber o seu país de origem, qual a exploração e o modo de criação das galinhas.


Por coincidência, encontrei há algumas semanas no Pingo Doce do bairro pela primeira vez ovos de galinhas criadas ao ar livre. Fico feliz por saber que em Portugal já se preocupam com esta prática.
E porque é que isto é importante?
Para além do óbvio bem estar dos animais, também é um factor que influencia a nossa saúde.
Para já, quando as galinhas são criadas em gaiolas, a densidade da população costuma ser maior. Isso irá provocar stress nos animais, que vão aumentar a produção da hormona do stress: cortisol. O cortisol tem um efeito negativo no sistema imunitário de todos os animais (incluindo seres humanos), fazendo com que estas galinhas estejam mais sujeitas a desenvolver doenças, incluindo zoonoses (doenças que os animais podem transmitir aos humanos e vice-versa) como a famosa salmonelose (doença provocada por Salmonella). O stress contribui também para haver uma pior absorção dos nutrientes por parte da galinha, o que irá diminuir o valor nutricional dos ovos.
 Claro que, mesmo sendo criadas ao ar livre, podem continuar a ter uma alimentação demasiado artificial com corantes e outros produtos que também não são os mais benéficos para a nossa saúde. Por isso, em primeiro lugar estarão os ovos de criação biológica.

Os ovos que comprei

Espero que o texto tenha sido esclarecedor, qualquer dúvida estão à vontade para perguntar!


Uma óptima semana!


Com amor,
A Marquesa

sábado, 14 de junho de 2014

Cantinho Veterinário IV

Os nossos amimais de estimação são uns gulosos, tal como nós nem sempre se afastam do que lhes faz mal.
Só que com o seu peso diminuto, às vezes mesmo pequenas quantidades podem causar alguma intoxicação. Em alguns casos, se não for levado a um veterinário, podem até levar à morte.
Aqui ficam alguns alimentos que são tóxicos para cães.
Alimentos tóxicos para cães: chocolate, cafeína, cebola, alho, uvas, macadâmia, batata verde

Os gatos também são tóxicos à maioria dos alimentos referidos em cima para cães, como a cafeína e a cebola.
São também sensíveis ao atum em conserva, portanto evitem ao máximo dar-lhes este alimento.
Um dos piores hábitos de muitos gatos é roer plantas. Algumas das mais comuns e que são tóxicas para os nossos pequenos amigos são:
Os nomes estão em português do Brasil, mas pela imagem percebe-se qual a flor
Espero que a informação vos ajude a proteger os vossos animais!
Que vão ao veterinário apenas pelas vacinas e não por alguma intoxicação :)

Desejos de um óptimo fim de semana!

Com amor,
A Marquesa.