Adoro ouvir os casais a contar a história de como se
conheceram. Quando o pedido lhes é feito, há sempre um olhar entre os dois,
tanto para concordarem contar a história ou até, quem sabe, para definir que versão vão contar
dessa vez.
Há sempre o porta-voz, o membro mais extrovertido que começa
a contar, enquanto o outro ouve atentamente fixando o amado ou lendo as reações
da plateia, interrompendo só quando acha que certa parte não foi contada da
melhor maneira ou para dar o seu ponto de vista do acontecimento. Quando se
sente injustiçado pela história ou apenas quer contar o seu lado das coisas,
recomeça a história quando o outro acaba. Nota-se bem a diferença de casais
recentes para quem já namora há anos e já tem quase um número preparado para
entreter os espectadores.
A minha parte favorita, como romântica incurável, é “o
quase”. Sabem a parte em que os dois já gostam um do outro mas não têm coragem
para o dizer? Em que já têm aquele ciúme miudinho, fazem de tudo para estar
mais tempo com o outro e toda a gente os empurra mas eles têm medo de dar o
último passo, aquele sem retorno?
É dos momentos mais terríveis da nossa vida. Aquele segundo
em que sabemos que é o momento perfeito para dar um beijo no meio daquele
abraço, aquele silêncio entre risos em que um “gosto de ti” sairia natural,
aquela proximidade no sofá em que o ombro dele parece o sítio certo para pousar
a nossa cabeça. Felizmente quando é mútuo basta a coragem de um para a
felicidade dos dois. Mesmo assim quantos amores terão sido perdidos para o
“quase”?
Com amor,
Catarina



