domingo, 29 de janeiro de 2017

Cirurgia

O primeiro contacto que tive com um bisturi e restante material cirúrgico foi em aulas de Anatomia. Para conhecermos os diferentes músculos, vasos e nervos tínhamos que dissecar os cadáveres à nossa frente. Uma espécie de desconstrução de uma máquina para perceber as diferentes peças e a forma de como se encaixam para um perfeito funcionamento. 
Anos depois começámos então a treinar as técnicas cirúrgicas para a resolução de certos problemas e as suturas (que para alguém que nunca teve jeito para artes manuais era giríssimo andar com a agulha e linha a cozer um pedaço de fato de surf). No semestre seguinte com a ajuda dos professores passámos então para castrações e esterilizações de animais reais. Que nervosismo ao ver as mesmas peças, desta vez num corpo que respira, sangra e se repara. 
Embora gostasse nunca achei que tivesse o mínimo de jeito e com a falta de oportunidades fui deixando de pensar nisso. 
Porém no local de estágio tenho ajudado os cirurgiões e feito algumas partes destas cirurgias menores. Tem-me sabido muito bem ver as minhas mãos ganhar cada vez mais firmeza, os dedos já saberem a dança para fazerem os diferentes nós, a mente que de maneira quase automática já sabe qual o passo a seguir. Ainda não me sinto à  vontade para fazer tudo sozinha, mas saber que com a prática e disciplina não é difícil melhorar motiva-me imenso.


Desejo-vos uma óptima semana!

Com amor,
Catarina

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Ele e Ela

Ele perde-se a jogar jogos de consola, ela perde-se a ler livros.
Ele gosta de seguir e ver youtubers, ela gosta de seguir e ler bloggers
Ele é um friorento, ela é uma calorenta.
Ele não gosta muito de dançar, ela passa a vida em passos de dança.
Ele é um noctívago, ela gosta de deitar cedo e cedo erguer.
Ele adora aqueles queijos mal-cheirosos, ela não consegue entrar numa divisão com eles sem se sentir nauseada.
Ele não liga muito a redes sociais, ela é um bocado viciada no Instagram.
Ele é alto e olha para o mundo cabisbaixo, ela é baixa e olha para o mundo de cabeça erguida.
Somos diferentes em muitas coisas, mas a verdade é que essas diferenças acabam por se complementar. O mais importante é que nos nossos valores e opiniões importantes estamos em sintonia. 
A minha cara-metade. O meu parceiro para o que der e vier.


Tenham o resto de uma óptima semana!

Com amor,
A Marquesa

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Encontros Inesperados

Esta semana larguei a chorar no hospital.
Não, não foi por alguém ter gritado comigo ou por algum animal morrer. Aconteceu algo completamente inesperado.
 Quando morreu o meu cão escrevi este texto e contei que ele teve 8 filhotes com a cadela da minha tia. Pois bem, apareceu para ecografia uma cadela com a idade desses cachorros e com o mesmo nome que a tal cadela da minha tia. Fui ver por curiosidade a ficha do animal e vi que a data de nascimento coincidia.
 Pedi desculpa pela indiscrição, mas perguntei à senhora onde a tinha arranjado e por acaso até tinha lá a papelada e quis logo mostrar-ma. Quando vejo o nome e a morada dos meus tios não me consegui conter. Tinha ali à minha frente um pedacinho do meu querido cão e de repente aquela boa disposição e aquele focinho pareceram-me incrivelmente familiares. A senhora felizmente não levou a mal e ficou muito feliz por conhecer um pouco mais sobre a história dos pais da cadelinha que já há 14 anos faz parte da sua vida. 
 O mundo é pequenino e há coincidências do caraças. Podia-me ter calhado a mim e não ao outro estagiário estar de folga naquele dia, podia ter estado a ajudar noutra coisa que não na ecografia e podia até nem estar a estagiar naquele hospital. Mas foi um encontro feliz e quando o contei à minha mãe e à minha tia foi como se vissem pedaços do Rodolfo e da Goldie naquela fotografia que a senhora insistiu que tirasse. Desejo do fundo do coração que consiga ultrapassar os 15 anos e meio do pai e com uma boa qualidade de vida.


Tenham um óptimo fim de semana!

Com amor,
A marquesa

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

 Depois da experiência no Bounce, comecei a pensar no quão dava por garantida as aulas de educação física no básico e secundário. A verdade é que me divertia imenso com os meus colegas e sempre espairecia a cabeça das restantes aulas.
 Depois lembrei-me que, graças às rotações, havia semanas ou até meses em que só desejava que essas aulas acabassem. Por muito que goste de jogar em equipa, há certos desportos de grupo aos quais não achava muita piada. Em parte, porque me "assustava" descobrir o lado competitivo e de mau perder/ganhar de alguns colegas meus. Principalmente em jogos com muito contacto físico como o basquetebol e andebol (o contacto é mais íntimo do que quando chutamos a bola com os pés, por exemplo). Sei que o facto de haver um vencedor e um perdedor dá "pica" à coisa, mas para mim o que contou foi sempre divertir-me. Pensando melhor nisso, sempre adorei vólei, ténis e outros jogos em que possa apenas dar passes e ir jogando com os oponentes. Gosto de ajudar os outros a melhorar e trabalhar em equipa, tanto no desporto como na vida em geral. Gosto de celebrar as vitórias, sabendo não foi preciso ser bruto ou passar por cima de alguém. Acredito que todos temos espaço para crescer e que quanto melhor os indivíduos, seja em que área for, melhor a comunidade.
 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Bounce!

 Estávamos a ver um vídeo em que uma rapariga treinava saltos de trampolim, quando o meu namorado deixou escapar que adorava essa modalidade.
 Ainda umas semanas antes uma colega minha me tinha estado a contar sobre a ida ao Bounce, um pavilhão cheio de trampolins com alguns monitores para nos ajudar, em que podíamos pular à vontade e em segurança. Dizia que se tinha divertido imenso e que era uma experiência mesmo gira e diferente.
 Surgiu logo ali a minha ideia para a prenda de Natal dele.
 O pavilhão ficava em Alfragide e, felizmente, tem parque privativo. Tem um ambiente colorido e giro que dói, inspirando ainda mais a criança que há em nós. Fomos no dia 2 de Janeiro, aproveitando a minha folga, por isso apanhámos ainda muitos miúdos que estavam no último dia das férias de natal. A fila era enorme e dei por mim a desejar ter feito reserva online, mas acabámos por ter lugar  logo no turno seguinte.
 Pagamos 12€ + 2€ nas meias anti-derrapantes obrigatórias, tendo direito a 1 hora a usufruir de todos os equipamentos do pavilhão, com a ajuda dos monitores que vão estando por lá e que nos dão um aquecimento geral de 5 minutos logo no início.
 As minhas vertigens ainda se fizeram sentir nos primeiros saltos, mas depressa fui-me habituando e ganhando alguma confiança. O meu namorado conseguiu fazer mais uns truques do que eu, mas eu acho que nas gargalhadas ficámos empatados.
 A minha parte favorita foi o colchão gigante de ar em que podíamos saltar do trampolim para aterrar lá. Senti-me logo radical por fazer mortais aí, mas logo via umas miúdas com metade da minha idade a fazer prestações dignas de Olimpíadas e voltava às palhaçadas com o meu namorado.
 A hora passou num instante e fomos logo a correr para o nosso cacifo (que alugámos por 1€) tirar as coisas rápidas para não apanharmos a confusão de toda a gente a sair dali.
 Suei um bocadinho, mas foi no dia seguinte que percebi o verdadeiro esforço que tinha feito ao sentir as dores musculares nos braços, pernas e abdominais.
 Se estão à procura de um programa diferente, recomendo vivamente!



Tenham uma óptima semana!

Com amor,
A Marquesa

sábado, 7 de janeiro de 2017

Cantinho Veterinário IX - Porquê esterilizar?

 Se há coisa que deixa qualquer profissional de saúde um pouco frustrado é quando se depara com situações complicadas que poderiam ter sido facilmente evitadas.
 Compadecemo-nos na mesma com os donos dos animais que nos chegam nessas situações, que estão desesperados e querem fazer tudo pelo animal, mas ao mesmo tempo pensamos nos "e se's".
 Acontece em doenças para as quais já há vacinas, em intoxicações por alimentos ou medicamentos que não podem ser dados e, do que vou falar hoje, em fêmeas que não foram esterilizadas. Em todas estas situações não há "maldade" ou propriamente negligência por parte das pessoas. Pode ser por ignorância, por achar que é excesso de zelo ou até por falta de dinheiro. 
 Mas, falo por mim, é prefirível investir na prevenção do que depois no tratamento para não sujeitar o meu animal ao sofrimento associado.
 No caso específico da esterilização, era algo que eu não hesitaria um segundo em fazer a uma cadela ou gata minha. Para além do controlo populacional, é muito vantajoso em várias questões de saúde.
 Ficou provado em vários estudos que quanto mais precoce a esterilização (mas só a partir de 6/7 meses, dependendo do animal), menor a probabilidade de desenvolverem tumores mamários. Se tirarem os ovários (fonte hormonal) antes do primeiro cio, ficam com uma probabilidade de ter cancro da mama igual à de um macho (cerca de 1%).
 Para além disso, o útero é suscetível a uma das doenças mais perigosas e complicadas que tenho visto na prática clínica: piómetra. Trata-se de uma infeção do útero, que acumula bactérias no seu interior e que muitas vezes só é detectada quando existe uma carga bacteriana enorme. Aí a única coisa a fazer é a cirurgia em que se remove os ovários e o útero - ovariohisterectomia - conhecida vulgarmente pela esterilização, que seria também a maneira de a prevenir em primeiro lugar. Porém, neste caso tem de ser feita em urgência senão pode ser fatal.
 Se conseguir sensibilizar pelo menos uma pessoa para considerar proteger a sua cadela ou gatinha para o futuro já fico muito feliz!



Tenham um óptimo fim de semana!

Com amor,
A Marquesa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Christmas Veggie Challenge - 24 & 25 de Dezembro

Ao contrário da maioria dos participantes deste desafio, não cozinhei para a consoada de dia 24. Quando falei com a minha mãe sobre isso, já estava tudo organizado entre os adultos da família (leia-se, as gerações que não a minha) e não havia mais espaço para outro prato...
 Por isso, a minha consoada foi vegana porque a minha mãe fez questão que um dos acompanhamentos do bacalhau fosse um refogado de grão, que serviu como a minha fonte de proteína, bem acompanhada de batata e couves cozidas como prático típico da natal.



 Para o almoço de dia 25 decidi usar uma receita que já usei algumas vezes. Nada de muito elaborado, mas ideal para alimentar muita gente e agradar a todos: empadão de lentilhas com puré de batata doce. Baseei-me na receita da Made by Choices, com algumas alterações num legume ou outro, mas faltou lá em casa um ingrediente que é chave para a receita: Noz Moscada. Por isso a meu ver ficou "meh", quando normalmente me sabe a um manjar dos deuses. O resto da família disse que estava bom, mas não vi muito entusiasmo.
 De qualquer maneira, foi uma experiência diferente e já me deixou o bichinho a pensar no que farei para o ano que vem. Prometo que desta vez verificarei se tenho mesmo todos os ingredientes essenciais.



E com este post dou como terminada a participação neste desafio. Reforçou-me a ideia de que há imensas ideias de refeições vegan em todo o lado e que mesmo quando não há, não é um bicho de sete cabeças fazer a adaptação de algo tradicional para ingredientes cruelty-free.
Parabéns à Nádia por ter criado esta iniciativa!


Tenham o resto de uma óptima semana!

Com amor,
A Marquesa


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Trem-Bala

Conheci esta música ontem no Instagram por causa de um vídeo da Gisele Bundchen. Vi então o vídeo original e desde aí não consigo deixar de a ouvir e cantar com um sorriso. 
Tão bonita.



Tenham uma óptima semana!

Com amor,
A Marquesa