quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Tenho cara de miúda

Lembro-me de na pré-adolescência e adolescência haver uma certa satisfação entre as raparigas da minha idade de parecermos mais velhas do que realmente éramos. Queríamos que nos vissem como miúdas crescidas (sendo "crescidas" 15 ou 16 anos de idade) em vez de crianças e quando alguém tentava adivinhar a nossa idade e dava o número certo saíamos um pouco desiludidas.
O que eu não sabia era que nunca mais ninguém iria adivinhar corretamente a minha idade...
Eu tenho um irmão que é 3 anos mais novo, mas sempre que alguém de fora vem falar connosco ou os nossos pais acham sempre que é ele o mais velho. Há dois anos uma senhora chegou a ficar super chocada quando a minha mãe lhe disse a minha idade real. Depois veio ter comigo a dizer que não me dava mais de 15 anos. Ouch.
Não é que parecer mais nova seja a pior coisa do mundo, sei bem que não. Ter que mostrar a minha identificação sempre que vou a algum lado reservado a maiores de idade ou ter vendedores de porta-a-porta a peguntar se posso ir chamar um adulto é um pequeno preço a pagar pelos ares de juventude. 
O problema é que estou quase a começar a trabalhar e preciso que as pessoas me levem a sério. Os médicos veterinários querem-se já com experiência e uns cabelinhos brancos senão o cliente desconfia, eu percebo. Eu, que raramente me maquilho, já tenho base e CC creams para usar nos dias de trabalho a ver se pareço pelo menos andar nos 20s. Os (três) cabelos brancos também já cá estão há 5 anos. A ver vamos.


Mais alguém com o problema de parecer bem mais velho ou novo?
Se tiverem alguma situação caricata partilhem, por favor. Antes rir que chorar!

Tenham uma óptima semana!

Com amor,
Catarina 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Somos fortes um pelo outro

Nunca me descreveria como uma pessoa forte. Sou tímida, insegura, sensível e tenho tendência a não lidar muito bem com pressão intensa e situações completamente inesperadas.
No entanto, quando se trata de tratar de pessoas que gosto, a força aparece.
E é engraçado que acontece o mesmo com o meu namorado. Ele pode estar a ter um dia mau ou a atravessar uma situação difícil que, se eu precisar, ele vai assumir a liderança e ajudar-me a ver as coisas de forma positiva e procurar soluções enquanto me conforta num abraço.
Não somos o super-homem ou a mulher-maravilha. Mas quando o outro está em apuros a nossa super-força e visão positiva emergem e salvam (ou pelo menos melhoram) o dia.

By Puuung
O resto de uma óptima semana!


Com amor,
Catarina

sábado, 28 de julho de 2018

5 dicas para manhãs descomplicadas

Quando era miúda era uma sortuda. Era a minha mãe quem me acordava quando tinha que ir à escola de manhã. Acordar com o barulho dos estores a abrir e a ouvir "Catarina, acordar!" era um milhão de vezes mais simpático do que utilizar um despertador.
Na faculdade, nem sempre me deitava a horas simpáticas, por isso colocava o horário do despertador quase ao milésimo de segundo para dormir durante o maior período de tempo possível, tomar um duche rápido, comer leite e cereais e sair de casa a correr para apanhar o autocarro que me permitia chegar à aula mesmo à hora.
Ter esta rotina matinal logo assim stressante quebrava logo o meu espírito para aquele dia. Felizmente, ao longo do tempo fui aperfeiçoando a minha rotina matinal.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Medo (Desafio 1+3)


Tenho medo de não ser boa o suficiente.
Tenho medo de não ser uma pessoa boa o suficiente, uma namorada, filha, neta, irmã e amiga como os respectivos merecem.
Tenho medo de não ser inteligente o suficiente. 
Tenho medo de que haja um limite para o que consigo aprender, que a minha memória não seja a melhor, que as emoções superem o meu lado racional.
Tenho medo de não ser saudável o suficiente.
Tenho medo de não comer tão bem quanto devia, de tentar e não conseguir fazer as posturas de yoga que gostaria e que a minha falta de resistência me complique o dia-a-dia.
Tenho medo de não me amar o suficiente.
Tenho medo de me ver sempre como o patinho feio, como a amiga menos gira, a namorada mais chata ou a veterinária mais insegura.

Simplesmente tenho medo de não ser suficiente.

Felizmente, há dias em que este medo não vem à superfície. Dias em que estou tão ocupada a receber abraços apertados, mensagens inesperadas e o calor do sol na pele que simplesmente não há como não estar agradecida por ser quem sou. Dias em que consigo ajudar o próximo, em que promovo sorrisos e gargalhadas e até mesmo quando estou sozinha apenas a cuidar de mim. Hoje é um dia misto: de manhã fiz uma rotina de yoga que me fez sentir uma super-mulher e à tarde recebi uma notícia que me pode trazer mudanças num futuro próximo e deixou novamente com medo. Não vou deixar que o medo leve a melhor. Vou fazer o que posso e o resto logo se verá. Serei suficiente.


Com amor,
Catarina

(Publicação no âmbito do desafio 1+3, criado pela Carolina)

domingo, 15 de julho de 2018

Querida Anne M. Frank,

Querida Anne,

Obrigada por teres escrito o teu diário. Sei que no início serviu apenas como um escape aos problemas do dia-a-dia, mas que depois, enquanto estavas escondida no anexo secreto e ouviste o Sr. Bolkestein pela rádio a dizer que seria feita uma coleção de diários e cartas após a Guerra, quiseste partilhar a tua escrita e uma parte tão pessoal de ti com toda a gente.
Confesso que adiei a leitura da tua famosa obra mais de uma década. Lembro-me de estar na biblioteca da minha escola no 5º ou 6º ano e ver o teu livro em destaque. Muita gente falava dele, mas eu sabia que retratava uma das épocas mais negras da história e não tive coragem. Para ti deve parecer algo disparatado: não querer ler um livro. Tu, que encontravas nos livros uma escapatória à realidade e onde aprendias sobre história, mitologia grega e a tua odiada matemática.
Isso para além da "falta de coragem". Eu aos 12 anos não quis ler um livro, quando tu aos 12 anos estavas a passar o último ano da tua vida em liberdade. Já aí falavas das diferenças entre um cidadão judeu e um cristão, mas mesmo assim continuavas a poder ir à escola e estar com os teus amigos.
Foi uma querida amiga minha, que visitou o teu refúgio em Amesterdão, que me emprestou o teu querido diário para, aos 25 anos de idade, lê-lo finalmente.
E como é estranho eu, aos 25 anos de idade, ler os pensamentos de uma adolescente de 13 anos. Somos tão dramáticos e cataclistas nessa idade. É absolutamente normal. Os pensamentos que tiveste sobre os teus colegas serem infantis, sobre os teus pais não te compreenderem e até os pensamentos sobre ti própria e a descoberta do teu corpo e do amor são normais. O que não é normal é teres passado por essa fase da tua vida obrigada a viver todas as horas do teu dia com mais 7 pessoas num espaço pequeno, só porque alguém decidiu que queria exterminar pessoas inocentes.
Lamento tanto, Anne, que não tenhas tido a oportunidade de ter uma melhor amiga com quem falar sobre todas estas coisas, para saberes que não estavas sozinha. Lamento que não tenhas tido a oportunidade de sair à rua e espairecer de cada vez que tinhas um desentendimento com os teus pais. Lamento que tenhas passado as noites e os dias com medo de seres descoberta e levada para um campo de concentração, longe dos que amas.
Deixa-me dizer que o teu talento é ímpar Anne, escrevias mesmo muito bem, principalmente em tão tenra idade. Escreveste "Quero ser útil e levar prazer às pessoas, mesmo àquelas que nunca conheci. Quero continuar a viver depois da minha morte!" e acredita que conseguiste realizar o teu sonho de pequena escritora. Mesmo que não tenhas conseguido sabê-lo em vida.
Agradece ao teu pai - o Pim - que tanto amavas. Foi ele que partilhou este diário com o mundo. Foi ele que possibilitou tocares no coração de tanta gente e deixares a tua marca na história.
Que continues a inspirar a humanidade por muitos muitos anos querida Anne.

Com amor,
Kitty


(Se como eu, andam a adiar a leitura d'O Diário de Anne Frank, deixem de o fazer. Vale mesmo muito a pena, mesmo com a sensação de coração partido a cada página)