quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Sobre os incêndios

Não sabia se devia ou não escrever algo sobre os incêndios que se passaram, mas a verdade é que este blog também é uma espécie de álbum de memórias e momentos para mim. Portanto, acho que, mesmo sendo um tema ligeiramente repetitivo para quem está a ler, devo a mim própria registar algo que me ocupou a mente durante vários dias.
Sou da zona de Leiria, uma das mais afetadas pelos incêndios do último domingo, dia 15. Na minha aldeia, houve um incêndio (com origem acidental) a menos de 1 quilómetro de minha casa, mas que com a rapidez e eficácia dos bombeiros e o alerta da população rapidamente se resolveu. Ninguém ficou ferido, mas ardeu alguma flora, assim como um palheiro e um tractor.
Porém, mesmo extinto esse fogo, o fumo e o cheiro a queimado não largavam a nossa zona. Havia fogos para a zona de Pombal, para a zona costeira de Leiria e de algumas terras mais próximas de nós. As crianças leirienses foram evacuadas da escola na segunda-feira por causa do ar irrespirável.
As imagens do nosso querido pinhal de Leiria magoam-me o coração. Percorrer a estrada com os pinheiros em ambos os lados sempre foi sinónimo de férias, diversão e paz. O caminho mais bonito para ir às nossas praias favoritas, o destino de um piquenique e um observatório de planetas e constelações. Mas, mesmo que demore décadas a crescer, ele há-de voltar. O importante é ninguém ter ficado ferido, como infelizmente aconteceu em outras zonas do país. Na verdade, embora se sinta um imenso sentimento de perda e revolta, está tudo a voltar ao normal.
A vila onde vivem os meus sogros não teve tanta sorte. Ardeu tudo o quanto era verde, mas também estruturas como o parque de campismo e habitações de pessoas que viviam na periferia. Estão sem eletricidade e sem rede telefónica. Dizem que parece que voltaram atrás no tempo para o século XIX.

Só espero que tudo isto nos sirva de lição e que nos torne mais exigentes, mas também mais humildes para ouvir a opinião de outros países e de quem realmente percebe do assunto para que da próxima vez (porque com o nosso clima é impossível não voltar a acontecer), as perdas sejam menores. Que as vítimas dos incêndios deste ano não tenham sido em vão.


Tenham o resto de uma óptima semana!

Com amor,
Catarina

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

"Meu melhor amigo é o meu amor"

 Há já uma meia-dúzia de anos, quando estávamos no primeiro ano de faculdade, uma amiga minha desabafou que tinha saudades de ter namorado porque sentia falta de ter aquela pessoa com quem falava constantemente e podia partilhar todas as novidades assim que aconteciam. Fiquei meio encavacada, porque o namoro que tinha na altura era tudo menos assim. Trocávamos só duas a três mensagens por dia, quando estávamos juntos pouco conversávamos e ele não mostrava qualquer entusiasmado caso eu partilhasse alguma novidade. Contentava-me a estar infeliz apenas porque não queria estar sozinha outra vez, porque achava milagroso que alguém quisesse estar comigo. Até me dói escrever isto... que vontade de dar um "calduço" para acordar aquela Catarina para a realidade e apresentá-la ao amor próprio.
 Iriam passar ainda dois anos para saber do que aquela minha amiga estava a falar. Saber o que é nunca ficar sem assunto com alguém, de me divertir com coisas palermas, de falarmos sobre os nossos dias, quer por mensagens quando estamos longe, quer ao final de um dia enquanto andamos por casa. Estar completamente à-vontade para fazer com ele tudo (mesmo tudo!) o que costumo fazer sozinha. Alguém a quem conto os meus medos e sonhos mais escondidos no coração e a quem conforto e apoio quando ele o faz comigo. Alguém que adora experimentar comida nova comigo, quer seja em restaurantes ou quando me aventuro a cozinhar dizendo que está bom ainda antes de provar. Alguém com quem uma hora ao telemóvel passa a correr e a quem envio imagens e memes engraçados. 
 A vossa cara-metade não tem que ser o vosso único amigo, mas convém absolutamente ser pelo menos um (melhor) deles. Acreditem.



Tenham o resto de uma óptima semana!

Com amor,
Catarina

domingo, 8 de outubro de 2017

Manjares da Marquesa - Crumble de Pêra

Há umas semanas atrás a minha avó apareceu cá em casa com vários sacos, entre os quais, pêras que uma afilhada lhe tinha oferecido. Como já estavam bastante maduras lembrei-me de fazer um dos meus doces favoritos: um crumble.
Com a companhia do Bóris e uma receita da Joana Roque que adaptei, pus as mãos à obra.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Catarina na Terra do Sol Nascente - Nara

Após um bom almoço ainda em Osaka num restaurante com cozinha tradicional japonesa, viajámos um par de horinhas no autocarro da "excursão" onde sinceramente sucumbi ao cansaço da falta de horas de sono e jet lag. 
 Quando acordei, estávamos a chegar a Nara e nos parques da cidade já se viam alguns cervos a pedir comida às pessoas ou simplesmente deitados a descansar sem ligar aos paparazzis.  Descemos para visitar o Todai-ji, o templo que alberga o maior Buddha de bronze do mundo e que é considerado património da UNESCO. Os cervos também se encontram junto a este lugar sagrado, visto que são considerados mensageiros dos deuses, segundo o Xintoísmo.


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Pensamentos de uma quase-veterinária no Dia Nacional do Médico Veterinário

O número de colegas meus que já é Médico Veterinário continua a subir.
O prazo para entregar a tese começa a ser cada vez mais iminente, o que aumentou a minha concentração e vontade de trabalhar para o triplo. Passei de ver as horas a passar vagarosamente quando a minha vontade é só de ir para casa, para olhar para o relógio e exclamar “já?! Mas ainda não fiz metade do que queria!”.
Voltando aos meus colegas, noto que estou mais crescida que há uns anos atrás quando o orgulho e a felicidade substituem a inveja. Fico genuinamente contente por ver os meus colegas conseguirem emprego na área que queriam, dedicarem-se a áreas que gostam ou a conseguir internatos e residências com que sonhavam. Sei que não é apenas fruto de sorte, mas de verdadeira dedicação e trabalho. De colherem o que semearam.
Aceitei que há vários caminhos para o sucesso e que, felizmente, há espaço para todos desde que trabalhemos e nos concentremos em crescer e evoluir, em vez de tentar maldizer a concorrência e ficar a roer de inveja. E se a inveja aparecer, que sirva de introspecção e de motivação para ajudar a perceber qual o melhor caminho a seguir para nós.
A inveja, o ódio e a raiva são daqueles sentimentos que nos magoam mais a nós próprios quando o sentimos do que à pessoa a qual se dirige. Tiram-nos a paz de espírito, revelam-nos inseguranças e ocupam-nos o coração com pessoas que muitas das vezes não nos são nada. Prefiro preocupar-me com quem amo, com quem aprendo e quem faz de mim uma pessoa melhor e mais feliz. Já basta a minha felicidade variar consoante a das minhas pessoas, quanto mais outras que me são distantes.

Neste dia português do Médico Veterinário desejo todo o sucesso aos mais recentes membros da classe e aos mais velhos. Qualquer que seja a vossa área ou especialidade, espero que continuem a evoluir e a fazer da nossa profissão um orgulho cada vez maior. Muito amor para todos!


Catarina, a estudante