sábado, 8 de junho de 2019

Pontualidade = Bondade

Um dos valores que os meus pais me incutiram desde pequena foi a pontualidade. Faz parte do grande lema que a minha mãe repetia: "Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti." E se ninguém gosta de ficar à espera de outrem, devemos esforçar-nos para que isso não aconteça.
A minha veia de procrastinadora fez com que a minha pontualidade não fosse tão assídua como devia. E quando passei a ser eu a cuidar dos meus horários, custava-me principalmente pôr uma hora madrugadora no despertador para chegar atempadamente aos meus compromissos.
O meu namorado, que é uma das pessoas mais pontuais que conheço, fez com que visse os efeitos de chegar cedo, quando tínhamos algum compromisso com amigos em que íamos juntos. Mas mesmo assim, só desde que comecei a trabalhar é que posso dizer que me tornei realmente pontual.
Na verdade, sair de casa mais cedo e preparar-me com tempo não é uma bondade que faço aos outros, é uma bondade que faço a mim mesma. Conduzir preocupada com as horas ou conduzir com calma ao som das minhas músicas e podcasts preferidos é completamente diferente. Se encontrar alguém conhecido na rua, já não o despacho e posso dar-me ao luxo de conversar e saber como a pessoa está. Já posso tomar um pequeno-almoço mais completo e demorado em vez de engolir um leite com cereais ou enfiar uma barrita na mala.
Sei que custa dormir menos 10 minutos ou interromper um episódio de uma boa série a meio, mas experimentem dar-vos ao luxo de fazer tudo com tempo (quando possível!). É uma das melhores coisas que podem fazer por vocês próprios, acreditem.


Bom fim-de-semana prolongado!

Com amor,
A Marquesa

domingo, 21 de abril de 2019

"O Questionário"

Com certeza já repararam que existe um inquérito não-oficial, conhecido por toda a gente, que temos de ir respondendo ao longo da vida.
Começam por ser os nossos pais a responder a estas questões: "Então, o bebé já sorri?", "já anda?", "já fala?". E assim que têm uma resposta positiva a esta última, as perguntas começam a ser dirigidas a nós. "Já andas na escola?", "já sabes escrever?", "já sabes o que queres ser quando fores grande?".
Vamos habituando-nos a estas perguntas, dando sempre as mesmas respostas, até chegar o dia em que damos a resposta "certa" e passam à questão seguinte. 
Se não fosse mau suficiente, na adolescência começam as perguntas sobre a nossa vida pessoal. "Então e namorado?" 
Como se fosse o próximo marco da vida, quase uma obrigação tão profissional e esperada como ir tirar um curso universitário, hoje em dia. Nunca se preocuparam em saber se tínhamos amigos, se tínhamos com quem brincar e com quem partilhar segredos. Só os "namoradinhos".
Depois do curso concluído e do primeiro emprego conseguido, com uma relação de namoro duradoura, já sabia a pergunta que se seguia. 
"Então e quando é que te casas?". 
Nem vou explicar porque é que não deveria ser uma questão "obrigatória", em pleno século XXI. O casamento não é um acto indispensável, nem desejável para muitas pessoas. Mas, existindo muitas vezes uma questão religiosa que motiva a curiosidade dos interlocutores, compreendo que não se vá extinguir tão cedo.
Já teria amealhado um número de dois dígitos, se ganhasse um euro por cada vez que já me fizeram a questão. E fico sempre surpresa quando vejo que as pessoas estão à espera de uma resposta afirmativa ou pelo menos concreta. 
Sim, com a minha idade os meus pais já estavam casados e os meus avós então já eram pais. Mas eu continuo a ver-me e sentir-me uma miúda. Ainda agora comecei a trabalhar e a gerir a minha vida. Sim, amo muito o meu namorado e quero que ele esteja ao meu lado nos meus próximos desafios e conquistas, mas temos tanto tempo para pensar nisso.
Este ano vou ter os primeiros casamentos de amigos e, embora esteja muito feliz por eles e saiba que faz todo o sentido, não me vejo a ser a próxima. Quem sabe, um dia? 
E não comecem a falar em filhos, por favor, que ainda nem me habituei à ideia de que este ano vou ser "tia".

Fica aqui prometido, se for para casar, as pessoas que quero que saibam, saberão. Não é preciso irem perguntando, está bem? Se não... começo a ameaçar criar uma lista negra onde ponho quem me pergunta pelo casamento. À terceira vez fica sem receber o eventual convite. Entendido?

Desejo-vos uma boa Páscoa! 

Com amor, 
Catarina

domingo, 7 de abril de 2019

Atypical

Ando sempre em busca de séries novas para ver, principalmente de episódios curtos, ideais para quando almoço ou janto sozinha, ou até para ver no serão quando a aproximação da hora de ir dormir não me deixa prolongar a ronha no sofá.
Fui vendo as recomendações que a Netflix me dava, até chegar a Atypical, um nome que não me era estranho graças a uma opinião da Inês do blog "Mar de Maio".
Apenas tinha a noção de que era uma série engraçada, tendo como personagem principal um rapaz adolescente com autismo. Vi o primeiro episódio e, para ser honesta, tive que me controlar para não ver tudo de seguida.
Sam Gardner é um rapaz de 18 anos, que frequenta o último ano de secundário. Adora tudo o que tenha a ver com o Antártico, sonha em ter uma namorada e é autista. A mãe desistiu do seu emprego para se dedicar aos filhos, especialmente o Sam a tempo inteiro, o pai é paramédico e a irmã mais nova um prodígio na corrida.
O enredo gira em volta desta família, mas o que é absolutamente fascinante e refrescante, é a maneira como vão introduzindo conceitos e até dificuldades de pessoas que estão no espectro do autismo a pessoas que, tal como eu, nunca tiveram pessoas chegadas com este transtorno. Isto enquanto o Sam vive as peripécias, amores e desamores típicos de um adolescente.
Keir Gilchrist faz um papelão. Faz-nos esquecer que é um neurotypical e personifica perfeitamente alguns dos maneirismos mais associados ao transtorno de autista.
A irmã, Paige, também é uma das minhas personagens favoritas, mas quem me arranca mais gargalhadas é o Zahid, amigo do Sam e engatatão assumido.
Se querem uma série jovem, divertida, refrescante, mas que também dê em que pensar, não deixem de dar uma oportunidade a Atypical. Aposto uma barbatana de pinguim em como não se vão arrepender.


O resto de um bom Domingo!
Com amor,
Catarina

terça-feira, 2 de abril de 2019

Passei um mês sem ir a redes sociais

Já há algum tempo que tinha noção de que o meu consumo de redes sociais não era o mais saudável. Tenho conta de Facebook e Twitter, mas o meu maior vício é mesmo o Instagram. No final do ano passado já fiz uma limpeza para reduzir o número de contas que sigo para metade, mas mesmo assim sentia que passava lá demasiado tempo.
No mês de Fevereiro o meu namorado teve uma ideia: E se eu me comprometesse a passar o mês de Março sem pôr os olhos numa única rede social? 
Aceitei prontamente o desafio.
Estava com receio de o meu fear of missing out tomasse conta de mim, mas a verdade é que não senti praticamente falta das redes sociais. Acho que a única coisa que me deu pena foi não assistir a instastories de amigos meus que aproveitaram as férias de Carnaval para passear, mas não morri por isso. 
Aliás, as coisas verdadeiramente importantes são contadas directamente, quer por mensagens ou pessoalmente, por isso é uma tolice achar que, por não sabermos o que uma pessoa comeu ao lanche ou  uma frase engraçada que encontrou a caminho do trabalho, deixámos de conhecer essa pessoa. 
Tal como imaginava, deixar de perder tempo a cuscar as contas de terceiros, fez com que ganhasse tempo para outras coisas. Pus os vídeos dos youtubers a quem subscrevo em dia, o meu ritmo de leitura aumentou, passei a ler notícias de jornais online em vez de me chegar a informação através de memes e passei a desfrutar de filmes e séries sem ter o meu telemóvel emplastro na mão - um hábito terrível.
Também gostei da sensação de andar incógnita. De ninguém saber o que ando a fazer, ou por onde ando a não ser que me pergunte directamente. 
Ontem regressei ao Twitter e ao Facebook. Confesso que já tinha saudades sobretudo do Twitter, que é a rede social que mais me faz rir e inspira ao mesmo tempo. 
Quanto ao Instagram... Já o voltei a instalar mas confesso que ainda não tive coragem de o abrir. Ou eu dou uma grande volta às contas que sigo, ou então a minha compulsão por ter que abrir todos os stories e ver todas as publicações antes de fechar a aplicação vai voltar a sugar-me tempo e paciência. Não sei se estou pronta para abdicar deste silêncio e tranquilidade digital. Veremos.


Continuação de uma óptima semana!

Com amor,
Catarina

quinta-feira, 21 de março de 2019

Favoritos do Inverno

Estive muito tempo a pensar se haveria ou não de criar este segmento de "Favoritos" aqui no blog. Sabia que não queria fazer algo mensal, porque não teria conteúdo nem disponibilidade para ter essa regularidade, por isso decidi trazer esta rúbrica sazonalmente.
Se já existem muitos "Favoritos" por essa internet fora? Sim. Se os meus vão ser super originais e revolucionários? Não me parece. Se mesmo assim eu o quero fazer porque acho giro e me vai dar um gosto enorme reler no futuro? Hell yeah.
Vamos então aos primeiros Favoritos Sazonais aqui do Marquesa de Carabá.




Para além de Sex Education e Dogs - de que falei aqui e aqui, respectivamente - o Inverno foi recheado de séries novas (da Netflix)
Na categoria de animação, vi "The Dragon Prince". Tinha bastante curiosidade, já que um dos produtores executivos tinha sido um dos realizadores da melhor série de animação de sempre - Avatar: a Lenda de Aang (opinião aqui). Embora não seja tão bom como a história do Aang ou da Korra, o Príncipe Dragão também tem um óptimo sentido de humor, um enredo interessante que nos deixa agarrados à série e um desenvolvimento das personagens superior ao comum de uma série de animação.  É refrescante, mantendo o tradicional mundo da fantasia.
Mantendo um registo animado, vi também "Master of None". Foi-me recomendado pelo namorado de uma prima minha e, não sabendo ao que ia, adorei. É uma série cómica, que retrata a vida de um jovem actor em Nova Iorque, filho de pais indianos e o seu grupo de amigos. Embora a melhor parte da série sejam as divagações de Dev e o seu grupo, não é a típica série de um grupo de amigos nova-iorquino. Tanto têm um episódio sobre o Tinder, como a seguir uma curta-metragem sobre a vida de "estranhos" que se cruzam em Nova Iorque. A segunda temporada é ainda melhor que a primeira e tem muito este efeito surpresa, porque nunca sabemos sobre o que será o episódio seguinte. Mas uma coisa é certa: vamos gostar.
Passando à minha última estreia, num registo mais sério, comecei "Black Mirror". Uma série sobre distopias futuras, que nos deixa a matutar sobre os limites éticos que a tecnologia pode tomar. Cada episódio é diferente, com actores e realizadores novos, que deixa sempre um misto de reflexão e desconforto no final de cada episódio. É mesmo muito interessante.


Quanto a filmes, vi "Okja", que me fez chorar que nem uma Maria Madalena. Já sabia que um filme da Netflix em que o centro da acção era a amizade de uma rapariga coreana e uma super-porca era receita para isso, mas a dinâmica e enredo do filme valeu a pena as lágrimas derramadas. Mais não seja para relembrar que ainda há bondade na humanidade e que haverá sempre quem esteja do lado daqueles que não tenham voz.
Já no cinema, fui com o meu namorado e amigos ver o capítulo final do "Como Treinares o teu Dragão". Uma despedida digna a uma triologia que me arrancou gargalhadas, sorrisos e lágrimas do início ao fim. Obrigada Toothless e Hiccup.

O Guacamole, é uma espécie de cadeia de fast-food mexicana. Experimentei a primeira vez no Colombo e ultimamente tenho ido mais à do Alegro de Alfragide. Peço sempre o burrito desnudado (basicamente um burrito no prato), com arroz com coentros, tofu (picante!) e salsa amarela. Para beber, a limonada de lima é uma delícia e corta o picante do prato principal. As chips de milho com guacamole também são de comer e chorar por mais. O melhor: é bastante acessível.
Numa ida a Cascais, descobrimos o Local - Healthy Kitchen. Para além de nos agradar o conceito de comida saudável, somos fãs de PokeBowls, que neste restaurante existem numa grande diversidade e com a possibilidade de personalizarmos a nossa. Eram deliciosas, mas aviso já que as doses são industriais, cuidado!
O chá mais bebido nestes dias frios tem sido este clássico chá de limão, canela, gengibre e mel. Eu e o meu namorado temos feito a olho mas é sensivelmente: cascas de um limão, quatro fatias de gengibre, três paus de canela e duas colheres de sopa de mel por cada litro de água a ferver. É só deixar a água ferver, adicionar os ingredientes (exceto o mel) esperar 5 minutos e desligar o fogão, deitando de seguida o mel. Uma delícia e óptimo para gargantas doridas.
Por último, as minhas bolachas favoritas de todo o sempre, que no Inverno têm a vantagem de não se derreterem com tanta felicidade: as Joaninhas do Pingo Doce. São parecidas às antigas, mas com chocolate preto - o meu favorito - por isso é extremamente complicado comer só uma ou duas de cada vez. Podem partilhar com os vossos amigos vegan, que não têm qualquer ingrediente de origem animal.
melhores. bolachas. de. sempre.

Este Inverno tem sido muito dedicado à música lusófona. Marcado pelo concerto das AnaVitória, houve muita música desta dupla brasileira nas minhas viagens de carro. A minha Salvadorcite ainda não se curou, tendo a versão do "Anda estragar-me os planos" e o dueto com a irmã Luísa "Só um beijo" andado on repeat no meu Spotify. 
O concerto da Carolina Deslandes foi um dos momentos altos do meu ano, até agora. Recomendo todo o álbum "Casa", mas se quiserem ouvir uma pérola escondida - que nem apareceu no concerto - oiçam a "Não me deixes", com a participação da Maro. 
O meu guilty pleasure deste mês? "Telemóveis", de Conan Osíris. Ao início achei a música estranha, mas agora já me deixo embrenhar na estranheza e gosto de cantar no tom dramático do Conan enquanto abano o corpo, não chegando nem aos calcanhares do seu bailarino.









Os meus Invernos não costumam incluir grandes passeios, mas este teve direito a um fim-de-semana na Serra do Bussaco. Nunca tínhamos visitado esta mata portuguesa, que é lindíssima. Para além da beleza natural desta floresta centenária, de árvores autóctones, existe também o Palácio Hotel do Bussaco. Este último, considerado o último legado dos reis de Portugal, é impressionante. No seu estilo neomanuelino, decorado com azulejos e pinturas alusivas aos descobrimentos e outros feitos históricos portugueses, podemos fazer uma viagem no tempo. No exterior também tem jardins muito bonitos e está rodeado pela bela mata e os sons da fauna residente.
É uma óptima "escapadinha" de fim-de-semana pois para além dos trilhos pela mata, fontes frias ou até ao topo da Santa Cruz, podemos visitar a pequena vila do Luso, com fontes em que se podem abastecer da famosa água ou até dar um saltinho a Aveiro, para passear na beira da ria e degustar os ovos moles e tripas (com chocolate!).










Fechei o ano passado com a leitura d'O Jogo do Anjo de Carlos Ruíz Zafon. É no mesmo universo d'A Sombra do Vento (opinião aqui) e gostei imenso, embora o primeiro continue a ser o meu preferido da saga. Continua a ter como tema principal a literatura, desta vez mais na componente de escrita, há amores e desamores, personagens queridas e outras enigmáticas e um grande mistério por resolver. Gostei muito.
Este ano, tenho conseguido cumprir a promessa que fiz a mim mesma de reler a saga de Harry Potter. Está a ser tão, tão bom voltar a Hogwarts. Vou no quinto volume e tenho pena de estar quase a acabar esta história e deixar o Harry, a Hermione e o Ron. Há tantos pormenores de que já não me lembrava, tantas partes que deixaram de fora nos filmes. Acho que vai ser algo a repetir a cada década, tal são as saudades por antecipação que sinto.



Todos os meses, o grupo de amigos do meu namorado reúne-se numa das casas do grupo. Jantamos, falamos das novidades ou simplesmente de parvoíces e jogamos. Normalmente, a actividade preferida são jogos de consola, como o Overcooked (opinião aqui) ou o Just Dance. No entanto, numa das últimas vezes o elegido foi um jogo de tabuleiro que nos deixou super empolgados e proporcionou muitos momentos de criatividade e diversão -o Código Secreto (versão imagens). Muito resumidamente, há duas equipas cujo representante tem de conseguir que a restante equipa escolha as imagens certas, usando apenas uma palavra e o número de imagens associada a ela. Pode parecer confuso, mas acreditem que é algo que envolve raciocínio e criatividade de uma maneira divertida e que puxa o lado competitivo de qualquer um.

Este Inverno comecei a ouvir mais dois podcasts. O "Sozinho em Casa" do Guilherme Geirinhas, com divagações do mesmo que acabam por ser interessantes e engraçadas e o "Magia é Respirar" da Sofia Mano, uma yogi que sigo há algum tempo e que traz temáticas relacionadas com o bem-estar, yoga e meditação. São óptimos acompanhantes para viagens ou para ouvir enquanto faço alguma tarefa que não exije muita concentração.

Para terminar, um vídeo de Yoga de 10 minutos para pescoço, ombros e costas. São as partes do corpo onde acumulo mais tensão, sentindo-os especialmente dolorosos em semanas mais agitadas. Fazer esta rotina à noite, já em pijama, depois de um dia stressante faz com que me vá deitar bem mais relaxada.





Se chegaram até aqui, muito obrigada. Espero que tenham gostado desta nova rúbrica e que estejam prontos para acolher a Primavera de maneira calorosa.

Com amor,
Catarina