quinta-feira, 27 de julho de 2017

O Quase-Amor

Adoro ouvir os casais a contar a história de como se conheceram. Quando o pedido lhes é feito, há sempre um olhar entre os dois, tanto para concordarem contar a história ou até,  quem sabe, para definir que versão vão contar dessa vez.
Há sempre o porta-voz, o membro mais extrovertido que começa a contar, enquanto o outro ouve atentamente fixando o amado ou lendo as reações da plateia, interrompendo só quando acha que certa parte não foi contada da melhor maneira ou para dar o seu ponto de vista do acontecimento. Quando se sente injustiçado pela história ou apenas quer contar o seu lado das coisas, recomeça a história quando o outro acaba. Nota-se bem a diferença de casais recentes para quem já namora há anos e já tem quase um número preparado para entreter os espectadores.
A minha parte favorita, como romântica incurável, é “o quase”. Sabem a parte em que os dois já gostam um do outro mas não têm coragem para o dizer? Em que já têm aquele ciúme miudinho, fazem de tudo para estar mais tempo com o outro e toda a gente os empurra mas eles têm medo de dar o último passo, aquele sem retorno?
É dos momentos mais terríveis da nossa vida. Aquele segundo em que sabemos que é o momento perfeito para dar um beijo no meio daquele abraço, aquele silêncio entre risos em que um “gosto de ti” sairia natural, aquela proximidade no sofá em que o ombro dele parece o sítio certo para pousar a nossa cabeça. Felizmente quando é mútuo basta a coragem de um para a felicidade dos dois. Mesmo assim quantos amores terão sido perdidos para o “quase”?


Com amor,
Catarina

4 comentários:

Inês disse...

Adorei este texto. A descrição está bastante real e percebi perfeitamente a que sensações te referiste. Serão tantas as vezes em que falta esse pedaço de coragem determinante...

Diogo Figueiredo disse...

True true! Mas todo aquele dia depois do beijo também é bué fixe!

Your master;
<3

Cláudia S. Reis disse...

Revi-me tanto neste texto. Olhando para trás perdi um amor no "quase". Anos mais tarde reencontrei o rapaz (já eu namorava com a pessoa com quem estou hoje e ele namorava com uma rapariga também) e no meio de uma conversa ele disse "Se tivessemos continuado a frequentar os mesmos locais não duvido que teríamos acabado por namorar". Eu fiquei parva por ouvir aquilo porque eu realmente gostei dele, há muitos anos atrás, mas nunca pensei que ele tivesse sentido o mesmo. Éramos miúdos!!

Eu adoro contar a história de como conheci o meu namorado! É tão caricata e diferente que normalmente as pessoas nem acreditam ao início :p E gosto de recordar como tudo se processou: Desde a primeira conversa ao primeiro encontro! :)

Catarina de Carabá disse...

Obrigada Inês :)
É verdade Di, o resto também é muito fixe!
Cláudia, é tão estranho não é? Às vezes o mais interessante é que toda a gente à volta até pode saber da atracção mútua, mas os dois em questão não fazem ideia.