quinta-feira, 12 de março de 2015

Carta ao meu pequeno Muchu

Querido Muchu,
Parece que foi ontem que te recebi como prenda de 20 anos.
Lá vinhas tu, preto e branco com as tuas patinhas cada uma de uma cor, com os olhos um pouco assustados.
Soubémos logo que eras especial porque causaste alergia ao meu irmão e à minha mãe, ao contrário do porquinho da Índia que tivémos há alguns anos.
 De qualquer forma, o plano era vires viver comigo e com a minha roomate em Lisboa.
 Lá nos afeiçoámos um ao outro e aprendeste a pedir-me comida, principalmente quando vias que eu ia mexer na gaveta dos legumes do frigorífico.
 Gostavas pouco de colinho, mas houve alturas em que me sentia só e precisava de alguém próximo de mim e tu estavas mesmo ali. Claro que te compensava com um bocadinho ou outro de cenoura em troca.
 Chegou o início do meu 4º ano lectivo e veio cá para casa um dos que eram alérgicos a ti.
 O meu namorado ofereceu-se logo para ficar contigo, para eu te poder continuar a ver. E assim foste para outra família que, ao contrário do que pensavam, se apaixonou por ti.
 Tinhas esse jeito e personalidade forte que fazia as pessoas verem que não eras apenas um porquinho da Índia, mas sim um animal com manias e gostos.
 Aos poucos a ligação que tinhas comigo foi-se desvanecendo dando lugar aqueles que te acompanhavam todos os dias.
 Mas estive lá sempre para ti. Dando-te comida, festas ou apenas falando contigo.
 Estive lá quando tiveste o teu problema de dentes e fui eu quem te levou ao veterinário, meu professor. Sobreviveste a duas cirurgias, sendo que a última era um procedimento complicado ao qual poucos porquinhos sobreviviam.
 Mas tu ficaste para contar a história e surpreendeste toda a gente com a tua melhoria super rápida.
 Foste um lutador e provaste o quão especial eras.
 Tudo parece que foi ontem. Mas ontem foi o dia em que chegou o fim.

 Ainda não sei o que se passou. Não sei o que terá acontecido nas poucas horas em que passaste de absolutamente bem para frio nas minhas mãos.
 Com sorte saberei no resultado da necrópsia. Mas tu eras tão especial que não me admiraria se a tua própria morte fosse um mistério.
 Foste muito amado, disso não tenhas dúvidas.

Adeus meu pequeno Muchu!


Sempre tua,
Catarina

2 comentários:

Diogo Figueiredo disse...

Vou ter saudades tuas Muchu, nunca vai haver um porquinho da índia como tu!

Your master;
<3

Marta Moura disse...

:(