terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Piropos

Ontem foi o dia em que o assédio sexual verbal, nomeadamente propostas de actos sexuais, virou crime (pelo menos oficialmente) .
Muita gente por aí nas redes sociais reclama, dizendo que é um elogio, que é inofensivo, que não é uma prioridade. Será mesmo?
 Felizmente, as minhas histórias de piropos ficam sempre aquém das que oiço. Há certas coisas que os homens se acham no direito de dizer a meninas menores de idade na rua, achando que são engraçados que sinceramente enfraquecem o meu cárdia e fazem-me quase vir os vómitos à boca.
 A primeira vez que contactei com este tipo de "falas", foi aos 15 anos, na minha viagem de finalistas no 9º ano, em que fomos umas 6 meninas para casa de uma de nós no Algarve. Logo no dia em que chegámos, indo do comboio até casa, ao passar por uma esplanada de um café começámos logo a ouvir burburinhos e coisas "simpáticas" vindas de homens que lá estavam. Lembro-me da minha indignação na altura. Porque é que uns homens que não conhecia de lado nenhum tinham que estar a mandar bocas a miúdas de 15 anos?!
 Nos dias seguintes quando íamos para a praia, passávamos por umas casas em obras onde os senhores também gostavam de se meter connosco com "Miaus" e "o teu pai é aviador?". Sinceramente, naquela idade às vezes respondíamos na brincadeira, dávamos para trás. Mas a cena nunca deixou de me fazer sentir desconfortável.
 De resto, ao longo da minha vida fui tendo sempre uns softs "Bom dia princesa!" "Olá linda!", nada comparado com as coisas altamente sexualmente explícitas que já ouvi em histórias de raparigas e mulheres que conheço.
 Porque é que estás indignada então rapariga?
 Porque acho que falo por todo o sexo feminino quando digo que: não me importo com elogios, desde que sejam feitos com respeito e não me façam sentir desconfortável.
 É por às vezes andar pela rua, a pensar nos meus afazeres ou outras coisas quaisquer e de repente algum homem me assobiar e eu pensar "Ah ya, sou uma mulher e tenho um corpo. Por momentos tinha-me esquecido.". É por muitas vezes miúdas terem medo de que os autores dos piropos não sejam só garganta. É por acharem que têm o direito de fazer comentários sobre mim, como se eu não tivesse sentimentos. É objectificarem-me.
 E quem diz fazerem isto a meninas e mulheres, também o diz a meninos e homens. 

Vamos trocar os "És toda boa!" agressivo por um "Bom dia!" simpático e sem segundas intenções? Agradecemos. Nós, os seres humanos.


Que acham desta medida?
Espero sinceramente que não tenham tido más experiências.

Com amor,
A Marquesa

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