domingo, 1 de julho de 2018

Animais da Blogosfera - Goji & Silvestre

Após uma pausa no mês de Junho, a rúbrica "Animais da Blogosfera" volta com a estreia de participantes felinos.
A convidada deste mês é a Andreia Moita que actualmente escreve no blog "As gavetas da minha casa encantada". Licenciou-se em Educação Básica, tirou o mestrado em Educação Pré-Escolar e é apaixonada por fotografia. Um dos seus sonhos é escrever um livro e, se tomarem o blog como amostra, tenho a certeza de que será bem-sucedida.


Olá Andreia e muito obrigada por teres aceitado este convite. Vou começar já com a primeira questão: mesmo antes de teres o teu primeiro gatinho já eras uma “cat person” ou o interesse por cães e gatos estava equilibrado?
Eu é que agradeço o convite. Apesar de as publicações sobre os meus patudos serem escassas, enche-me o coração partilhar mais um pedacinho destes dois pestes. Relativamente à primeira questão, esse interesse não estava, de todo, equilibrado, porque sempre fui uma pessoa de cães - e preservo o sonho de, um dia, ter um labrador. Porém, foi-se equilibrando com as mudanças.



Antes de teres o teu primeiro gatinho, já tinhas pedido algum gato ou cão aos teus pais?
Sim, porque sempre adorei animais. No entanto, mesmo achando um certo charme aos gatos, o meu pedido era constantemente direcionado para um cão.
Em alturas distintas, mas ambas durante a minha infância/início da adolescência, esse desejo teve um final feliz. Primeiro, tive um cão - o Fofo -, que nos foi dado por uma vizinha, cuja cadela tinha acabado de ter uma ninhada. Veio cá para casa ainda bebé e, como eu também era bastante pequenina, não tenho tantas recordações dele. Mas lembro-me que era castanho e que tinha uma energia inesgotável. Foi o primeiro animal que chorei!
Por volta dos meus oito anos (mais coisa, menos coisa), também por intermédio de uma vizinha, acolhemos a Fany - uma caniche preta e branca. Era um doce e uma companheira ainda melhor. Houve um dia que fiquei doente, com febre, e ela não saiu da minha beira - essa imagem há-de acompanhar-me para sempre. Tinha, para mim, o título de lambidela mais aconchegante e um número infinito de peripécias, que nos arrancavam gargalhadas. Infelizmente, anos mais tarde, tivemos que a mandar abater. Ficou gravemente doente, a barriga dela inchou imenso e já nem tinha forças para caminhar (para se deslocar, arrastava-se). Foi muito doloroso tomar essa decisão, mesmo sendo aconselhada pelo veterinário. Só que ver todo o sofrimento dela era ainda pior, por isso, seria egoísta da nossa parte prolongá-lo. A despedida, naturalmente, deixou marcas, ao ponto de não nos sentirmos preparados para voltar a ter animais.

No teu caso, o Simba adoptou a vossa família e não o contrário. Caso ele nunca tivesse aparecido no vosso cesto das pinhas, achas que hoje terias algum animal de estimação?
O objetivo era esse, sim, mas não sei até que ponto já teria acontecido, muito honestamente.
Quando nos morre um animal, não deixa de ser uma perda. Precisamos de fazer o nosso luto e deixar curar as feridas. E torna-se difícil apagares a ideia de que, inevitavelmente, por mais especiais que eles sejam, não vivem para sempre - tal e qual como as pessoas. O certo é que não é saudável ficarmos presos a esses pensamentos e, finalmente, começamos a discutir o assunto com alguma profundidade. Por outro lado, também queríamos ter a certeza de que tínhamos todas as condições favoráveis para embarcar nessa aventura. Não sinto que chegue gostar de animais, é preciso ter estabilidade emocional, física e financeira. É uma mudança significativa nas nossas vidas. Portanto, temos que estar conscientes do passo que estamos a dar.
A verdade é que quando o Simba apareceu no nosso cesto de pinhas, se ainda existiam arestas a limar, rapidamente tratamos do assunto, porque ele conquistou-nos de tal maneira que seria impensável não o acolhermos. Nos primeiros dias, claro, estivemos atentos a anúncios que o pudessem dar como perdido, mas, como tal não aconteceu, entrou na nossa casa, na nossa vida, no nosso coração. E deixou-os abertos para sempre. Foi dos acasos mais bonitos que nos aconteceram.

Como entrou o Goji na vossa vida?
Entrou de uma forma muito natural.
Uma vez mais, quando perdemos o Simba (foi atropelado à porta de casa), voltamos àquela sensação de vazio. E sentimos necessidade de resguardar o coração e de nos recompormos do choque; precisamos de voltar a aceitar que a casa ia ficar menos cheia. No entanto, tenho ideia que lidamos com a situação de uma forma menos fechada. Isto é, apesar de, inicialmente, saltar à boca aquela frase típica de que não teríamos mais animais, porque a sua partida é muito dura, essas palavras nunca tiveram força suficiente para serem levadas em frente. E o certo é que, aos poucos, fomos falando na possibilidade de adotar um gato.
Talvez não saiba explicar com exatidão, mas o Simba tinha uma personalidade tão especial, que sinto que isso apaziguou qualquer dor. E mostrou-nos que, se calhar, uma boa forma de homenagear aquele texugo (como eu lhe chamava) de olhos azuis era oferecendo um lar a um patudo que precisasse de amor. E esta vontade foi ganhando consistência. E foi assim que, em setembro de 2017, o Goji veio cá para casa, com dois meses, tão pequenino, que me cabia na palma da mão.



Foi difícil a adaptação do Goji à chegada do Silvestre?
Nos primeiros dois dias foi, sobretudo, estranho para o Goji. O que é perfeitamente normal, porque estava habituado a ser o rei da casa - e a virá-la do avesso só com a nossa atenção. Quando viu aquele ser estranho, ressentiu-se e, acho que em jeito de protesto, afastou-se um pouco de nós. Mas ao terceiro dia já estava quase familiarizado e a aceitação aconteceu sem danos de maior.
Confesso que era algo que me preocupava, mas procuramos não impor a presença de um ao outro, nem de os afastar em demasia. Nos primeiros dois dias, dormiram em espaços separados, mas durante o dia - e com a minha supervisão - não havia qualquer restrição, para se habituarem à companhia um do outro. Hoje, não se largam. E adaptaram-se muito bem. Curiosamente, o Silvestre parece que sempre esteve em casa, porque não estranhou o ambiente, nem mostrou qualquer tipo de receio. Aliás, acho que ser ele a procurar o Goji contribuiu para que a relação entre os dois se desenvolve-se de forma tão saudável, porque a minha baga preta percebeu que aquela bolinha de pelo não estava ali para lhe roubar o lugar.





Mencionaste numa publicação que os teus gatos são fisicamente parecidos, mas muito diferentes em termos de personalidade. Podes falar-nos de cada um deles?
Costumo dizer que se o Goji tivesse um filho (ou um irmão), muito provavelmente, não seria tão parecido fisicamente. São ambos pretos e o que os distingue é a altura e os olhos. O Goji é mais alto e comprido, enquanto o Silvestre tem a pata mais curta; aparentemente, têm olhos verdes, mas olhando com atenção percebe-se que os do Silvestre fogem mais para o amarelo. Quanto à personalidade, não podiam, de facto, ser mais opostos.
O Goji sempre foi muito independente. Brinco muitas vezes ao dizer que tem uma forma mais bruta de demonstrar amor por nós. Não é muito dado a estar no colo, nem a receber beijos (depende das ocasiões). Prefere muito mais estar nas alturas - subir para cima da televisão e/ou para o topo do armário da sala ou da cozinha. Entretém-se facilmente sozinho - com uma caneta e/ou uma bola - e é capaz de parar pouco à nossa beira. Mas quando lhe apetece, também é capaz de passar uma tarde deitado ao nosso lado. No fundo, faz as coisas ao ritmo dele, quando entender que as deve fazer.
O Silvestre é mais dependente da nossa companhia. É muito mimalho, muito carente. Mesmo que ele não me responda (ou que eu não o entenda), pergunto-lhe qual é a sua história, para não conseguir estar sozinho. Se, por acaso, eu estiver na sala e precisar de me deslocar a outra divisão, vem logo atrás de mim. Em jeito de brincadeira, também lhe chamo guarda-costas. No entanto, é preciso não nos deixarmos enganar com o seu ar inocente, porque consegue ser um verdadeiro pestinha; e quando algo não lhe agrada reage automaticamente. Ele foi resgatado da rua, portanto não tenho conhecimento do seu passado, mas nota-se que tem outro instinto de sobrevivência, que o Goji não partilha, porque nunca precisou de se defender a esse ponto.
Nenhum deles tem um ano (o Goji está quase), mas, ainda que consigam ser verdadeiros furacões, sinto que se acalmam mutuamente.


Os gatos são conhecidos pela internet fora por “atrapalharem” os tutores que querem escrever ou trabalhar no computador. Como se portam os teus gatos quando estás a trabalhar nas publicações para o blog?
Nisso os meus são mais tranquilos. Quer dizer, nem sempre consigo estar 100% sossegada ao computador (ou a ver televisão ou a ler), porque o Goji ativa o seu botão de trepador ou de explorador de armários e lá tenho que o ir resgatar. Mas, de um modo geral, consigo trabalhar bem, porque eles brincam muito um com o outro - ignorando a minha existência. Quando o Silvestre se cansa, vem deitar-se à minha beira e, caso não lhe dê atenção, mia e estica-se para que pegue nele. Deito-o no meu colo e ele acalma. Consequentemente, na maior parte das vezes, o Goji também. Por isso, consigo dedicar-me às minhas tarefas sem grande dificuldade.
Sou mesmo uma sortuda por tê-los na minha vida!



Mais uma vez, um enorme obrigada à Andreia por ter aberto o coração e partilhado a sua história e dos seus animais. Podem conhecê-la ainda melhor no seu blog, com publicações diárias.


Com amor,
Catarina

10 comentários:

  1. Foi um gosto enorme participar, minha querida. Muito, muito obrigada *-*
    Esse parágrafo inicial enche o coração!

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  2. Já conhecia a Andreia e os seus patudos mas adorei a entrevista. Nota-se imenso amor :)

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  3. r: É mesmo *-* estou desejosa de ouvir mais músicas dele, porque esta já me conquistou

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  4. Adorei imenso este post. A experiência da Andreia com gatos é muito semelhante à minha. E o Goji e o Silvestre são lindos :)

    Beijinhos!

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  5. Gosto muito da Andreia e dos seus meninos, lembram-me tanto a minha gatinha que está em Portugal aos cuidados dos meus manos :)
    Mal posso esperar para ir buscar um companheiro pata o nosso filhote ao RSPCA :)
    Adorei a iniciativa e a entrevista:)
    Bjinhosss as duas*
    https://matildeferreira.co.uk

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  6. A Andreia é uma querida, já gostava dela, agora fiquei a gostar e a admirar muito mais :) Parabéns Andreia beijinhos

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  7. Já conheço a Andreia e já conhecia um bocadinho da história dos seus gatitos pelo que vai contando no blog. Mas adorei a entrevista, até porque sou uma eterna admiradora de gatinhos :)

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